OTTOPAPI – Bala de Banana (2026)

OTTOPAPI – Bala de Banana (2026)

(Reprodução)

Revelação da cena indie entrega álbum com músicas grudentas, ideais para stories do instagram, postar no Tik Tok, ouvir no metrô, no carro, no parque, na balada, etc.

Se você nunca ouviu falar de Ottopapi, fique tranquilo pois o normal é, ainda, não conhecer esse novo nome que surge na cena paulistana. O lançamento de seu primeiro álbum, com o sugestivo título de Bala de Banana (nome de uma música que o ajudou a se projetar no meio indie) o anonimato não será mais a regra, pois o álbum é, realmente, um lançamento de destaque nesse início de 2026.

Esse primeiro lançamento não é o início da carreira de Ottopapi, na verdade nome artístico do designer, cantor e compositor Otto Dardenne, que no passado integrou as bandas Goldenloki e Gumes, partindo, no meio de 2025, para carreira solo para criar um som simples e grudento (influência de bandas como Devo, Strokes e Cansei de Ser Sexy), com uma mistura de surf music, indie e new wave- com generosas pitadas de originalidade. E fique atento para o que vou avisar: você pode ser picado pela vontade de ouvir mais de uma vez, na sequência, esse álbum.

Bala de Banana tem um rock urbano que reflete o caos e a intensidade de viver em São Paulo e as angústias dos jovens. Com uma ótima produção de Chuck Hipolitho (Forgotten Boys e Vespas Mandarinas) e bons músicos na banda de apoio, Ottopapi fez um dos melhores álbuns de 2026 (até agora). Ah, e ele tem um visual que mescla David Bowie (da fase Ziggy) com Júpiter Apple.

O disco abre com Meus Podres com uma pegada de rock dançante e um refrão grudento que diz “porque na minha vida já deu pra fazer tanta merda”. Ora, quem escuta a música percebe que ele escreve sobre situações do cotidiano urbano de forma descompromissada e muito divertida. Na sequência a faixa título tem um clima mais baladinha, mas novamente é grudenta no riff e no refrão. Seguem faixas como Goixto (com sua pegada oitentista), Quase que eu me Atraso de Novo (com riff que remete a surf music), Perdi o Controle (novamente guitarra crua com riff), Ruim da Cuca e A Mais Gata Dessa Festa me lembraram Bidê ou Balde, principalmente por dividir os vocais- a primeira- e os backings- na segunda.

Toddy ao Tédio (que parece saídas de um ensaio acústico do Beatles- daqueles Kinfauns sessions) e Perdi o Controle fecham o disco e podem provocar uma enorme vontade de ouvir o álbum novamente (como alertei no final do segundo parágrafo).

São quase 29 minutos de álbum, com 10 músicas que prendem a atenção do ouvinte e mostram um artista que canta seu cotidiano (e o de muitos jovens) através de canções grudentas, riffs empolgantes e uma urgência contagiante. Dá para colocar, fácil, umas seis músicas desse álbum na playlist de melhores do mês. Realmente, Bala de Banana é sério candidato a lista de melhores do ano. Bora escutar. Boa diversão.

9.5

Bala de Banana – OTTOPAPI

Gravadora: Seloki Records

Revelação da cena indie entrega álbum com músicas grudentas, ideais para stories do instagram, postar no Tik Tok, ouvir no metrô, no carro, no parque, na balada, etc.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.