Ruindade. Estranheza. Fantasmagórico. Não no sentido poético, mas no de um artista que parece cada vez mais ausente de si mesmo. Essas foram as primeiras sensações que tive ao ouvir “Make-Up Is a Lie”, último trabalho do Morrissey.
A voz ainda está lá e o figurino também, ok, mas a presença parece evaporada. E isso fica ainda mais estranho quando lembramos que o mesmo sujeito que hoje entrega um disco preguiçoso também cancelou, mais de uma vez, apresentações na América do Sul.
Em resumo, O álbum gira em torno de ideias fracas embaladas em frases que soam mais como slogan do que como observação mordaz. A faixa homônima ao nome do álbum repete “make-up is a lie” como se a obviedade bastasse para gerar profundidade. Patético.
Em “You’re Right, It’s Time”, ele encara o legítimo tiozão do zap, reclamando de telas, censura e perseguições imaginárias, enquanto se coloca eternamente como vítima de um mundo. O mundo, meu caro, te deu muitas oportunidades e tu cagou pra nós, literalmente.
Depois de anos de hiatos, polêmicas e dois bolos, Make-Up Is a Lie acaba reforçando a imagem de um artista preso ao próprio personagem: um Morrissey chato, pífio e decadente.
E antes que me esqueça: viva o Jhonny Marr!
Make-Up Is a Lie – Morrissey
Gravadora: Sire Records
Estamos em 2026. Quem ainda acredita em Morrissey?
