A nova leva de bandas punk que chega do Reino Unido parece, de fato, não ter fim. E talvez nem queira. Em meio a nomes como The Chisel (que a gente viu ano passado no Up Front Festival), The None, Soap Box e Panic Shack, que vêm consolidando essa nova safra, o Rifle surge com seu álbum homônimo como mais um capítulo desse momento.
Direto de Londres, o grupo costuma ser associado ao anarco-punk, mas vai além de um discurso puramente político. O que aparece aqui é quase um retrato geracional: jovens tentando existir (e resistir) dentro de uma cidade que engole gente todos os dias.
O disco de estreia é direto ao ponto: faixas curtas, sem gordura, sem firula. Tudo seco e intenso. A voz de Max, que em alguns momentos lembra um Johnny Rotten mais jovem, conduz um ataque sonoro que não dá tempo para respirar.
Nas músicas, há refrão de arquibancada em “No King”, nervos à flor da pele em “Protest” e ecos do punk inglês dos anos 80 em “Gauntlet Of Hate”. A energia é constante, quase exaustiva.
Só nos momentos finais, em “Cease And Desist” e “Pray For All”, o Rifle dá sinais de respiro, flertando com o post-punk e referências como Crass e P.I.L.
Em suma, são tempos turbulentos e, definitivamente, poucas coisas fazem tanto sentido quanto o punk para canalizar a raiva, a urgência e a frustração do agora. O Rifle catalisa tudo isso de forma interessante, em 12 músicas e pouco mais de 20 minutos. Se você está procurando novidades em um estilo que, por vezes, parece morto, vale a audição.
Rifle – Rifle
Gravadora: Year0001
O Punk britânico segue vivo: Rifle estreia com disco homônimo, curto, cru e totalmente necessário.
