Migalhas, terceiro disco da Jovem Dionísio, parte do sucesso quase acidental de um hit geracional para propor algo mais orgânico, mais coletivo e, principalmente, mais honesto e menos comercial. Gravado ao vivo, sem as muletas digitais que dominam a música contemporânea, o disco tem pouco mais de 32 minutos distribuídos em 10 faixas.
Aqui, neste novo trabalho, a banda troca o imediatismo pelo detalhe. As “migalhas” do título parecem fragmentos de memória, relações que se desfazem com delicadeza e recomeços que não fazem barulho. Faixas como “Melhor Resposta”, “Faz Tanto Tempo” e “Saídas” já sinalizavam esse movimento: letras mais contemplativas, arranjos mais elaborados e uma disposição clara em explorar pormenores musicais e emocionais.
Sonoramente, o álbum amplia o repertório da banda. Entre sintetizadores, violinos e violões, há uma busca por texturas e dinâmicas que fogem do formato pop mais direto. Os compassos alternados e a construção harmônica mais rica mostram uma banda que não quer mais apenas soar agradável ou ser lembrada por aquele hit (você sabe qual), mas que agora trabalha melhor suas nuances, explorando matizes e detalhes dignos da nova geração de artistas da MPB.
Surpreende? Um pouco, mas nem tanto. A Jovem Dionísio acerta em cheio ao ampliar sua sonoridade e seu horizonte musical, em vez de apostar em um novo sucesso descartável, daqueles que grudam como chiclete no imaginário popular.
Migalhas – Jovem Dionisio
Gravadora: Independente
Sim! Existe vida depois de “Acorda, Pedrinho”. E, mais do que isso, existe maturidade.
