Escrever sobre lançamentos recentes virou quase um teste de resistência. Não por falta de música, pelo contrário. Tem música demais. Single demais. Banda demais tentando existir ao mesmo tempo. E no meio desse ruído constante, separar cinco faixas que realmente digam alguma coisa virou mais um ato de filtro do que de descoberta em sí.
Por isso destaco aqui algumas coisas que garimpei nos últimos tempos e, também, dois lançamentos de hoje que merecem atenção. Até porque esses cinco lançamentos não são perfeitos. Longe disso.
Mas pelo menos tentam. Alguns acertam mais, outros menos. Mas o ponto é que, em um cenário saturado de novidade descartável, já é muito quando uma música te obriga a parar de pular faixa.
Carmino – Querido Querubim
Carmino já virou nome carimbado na cena catarinense. E agora dá mais um passo nesse caminho.
O artista acaba de soltar o primeiro single do próximo trabalho de estúdio. São quase quatro minutos que funcionam menos como cartão de visitas e mais como sinal de mudança de rota: “Querido Querubim” abre espaço e testa novas texturas musicais.
Papangu – Calado (De Olho)
O single da seminal banda paraibana foi lançado em março e chegou como uma peça densa, inquieta e tensa. São 7 minutos de música, naquele experimentalismo que pegou o mundo de assalto e a catapultou como uma das maiores revelações nacionais perante o mundo.
Mujer Cebra – No esperes nada
Curti pacas! Na eminência de tentar trazer mais músicas e bandas da América Latina, trombei com este power trio argentino, funde que post-punk, shoegaze, distorções pesadas de guitarra.
E neste single, que antecede o lançamento do seu terceiro trabalho, observa-se alto potencial de se tornar uma banda de amplo destaque na cena latina. Vamos aguardar!
NewDad – Kick the Curb
O trio de Galway, agora baseado em Londres, amplia o próprio universo entre o shoegaze e o alternativo com uma faixa mais direta, energética e com aquele clima que mistura peso e melancolia sem esforço.
Lançada de forma independente no Bandcamp, já que tornou-se independente depois de deixar a Atlantic Records no fim de 2025, a música marca o primeiro passo depois de Altar (2025).
O Boto – Jah eu (Um Pouco de Sol)
Estava terminando a coluna de singles quando recebi a sugestão da sempre atenciosa Paola Zambianchi para ouvir “Jah Eu (Um Pouco de Sol)”, primeiro single dos paulistanos O Boto. No mesmo instante em que dei o play, fui transportado mentalmente para um fim de tarde na praia.
O som, uma mistura etérea entre rock e reggae, antecipa o que podemos esperar de “Diferente de Ninguém”, álbum de estreia do quarteto, que deve chegar às plataformas digitais no segundo semestre.



