Pedro Lanches fala ao Under Floripa sobre influências, carreira e novos projetos

Pedro Lanches fala ao Under Floripa sobre influências, carreira e novos projetos

(Reprodução)

A música de Pedro Lanches soa como um encontro entre diferentes mundos. Há ecos do emo e do indie rock dos anos 90 e 2000, mas também espaço para trip hop, eletrônica, MPB e experimentações que fogem das estruturas tradicionais do rock. O resultado é um trabalho que dialoga diretamente com uma geração marcada pela ansiedade, pela sensibilidade e pela necessidade de encontrar identidade em meio ao caos cotidiano.

Natural de Campo Grande (MS), Pedro conta que sua relação com a música começou muito cedo. Aos oito anos já tocava guitarra e, poucos anos depois, estava completamente inserido na cena alternativa da cidade, participando de bandas de punk rock e rock alternativo.

O projeto solo nasceu em 2023, quase como uma necessidade artística.

“Eu tinha várias músicas guardadas que não faziam sentido nas bandas em que eu tocava. Queria experimentar mais, ter liberdade e autonomia para fazer exatamente o som que eu imaginava.”

Segundo ele, embora goste da dinâmica de tocar em grupo, o projeto solo oferece algo difícil de encontrar em uma banda: independência criativa.

“Tudo depende só de mim. Se eu corro atrás, as coisas acontecem do jeito que eu imagino.”

Essa liberdade fica evidente em Maranesi, álbum lançado há pouco mais de um ano e que reúne referências bastante amplas. Apesar da formação no rock, Pedro revela que hoje escuta muito mais do que guitarras.

Entre suas inspirações aparecem nomes como Massive Attack, Brian Eno, Aphex Twin, além de elementos da MPB, música eletrônica e indie contemporâneo. A intenção nunca foi seguir uma cartilha estética, mas criar um universo próprio.

“Como Dançar Uns Casais”, por exemplo, nasceu diretamente dessa vontade de aproximar o universo eletrônico da linguagem das bandas de rock.

Outro aspecto marcante do trabalho está nas letras. Diferentemente das bandas em que participa, onde as decisões são compartilhadas, Pedro vê seu projeto solo como um espaço completamente autobiográfico.

As canções foram escritas entre os 16 e 17 anos e registram sentimentos típicos da adolescência como inseguranças, descobertas, afetos e conflitos internos, sem recorrer a personagens fictícios.

“É o lugar onde posso ser mais sincero.”

Mesmo tratando de experiências pessoais, as músicas encontram identificação em muita gente. Pedro acredita que boa parte do crescimento do projeto aconteceu de forma orgânica, impulsionado pelo boca a boca entre ouvintes.

Os números nas plataformas de streaming seguem crescendo, os shows passaram a reunir cada vez mais público e a recente turnê ajudou a ampliar ainda mais o alcance do trabalho.

“Muita gente chega porque um amigo indicou. Acho isso muito legal, porque significa que as pessoas gostam do som e querem compartilhar.”

Segundo ele, a experiência ao vivo também tem sido decisiva para consolidar essa expansão.

“O show convence. As pessoas assistem e entendem melhor as músicas.”

Além da música, a identidade visual do projeto também faz parte dessa construção artística. Pedro trabalha ao lado do amigo Lucas Carmo, responsável pela capa de Maranesi, pelos materiais da turnê e pela maior parte das peças gráficas.

Embora participe das decisões, ele prefere estabelecer algumas diretrizes como a predominância de uma única cor, no caso o azul-claro, e dar liberdade para que o designer desenvolva o restante da proposta.

A ideia é que imagem e som funcionem quase como uma única experiência sensorial.

Para os próximos meses, Pedro pretende continuar experimentando. Entre os planos está criar um segundo formato de apresentação, mais intimista, com arranjos para cordas e clima de teatro, reinterpretando músicas originalmente mais pesadas.

Ao mesmo tempo, evita estabelecer limites para as novas composições.

Influências como Pixies e Pavement continuam presentes, mas o músico afirma que prefere deixar as músicas apontarem naturalmente o caminho.

Mais do que seguir tendências ou estratégias de mercado, Pedro Lanches parece interessado em uma única coisa: continuar fazendo músicas que ele próprio gostaria de ouvir.

E, pelo que tudo indica, essa honestidade artística tem sido justamente o principal combustível para que seu projeto encontre cada vez mais espaço dentro da nova cena independente brasileira.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.