E vamos para mais um álbum destinado a seletos ouvidos que gostam de sons pesados, estranhos e intensos. Falo do novo álbum do Deafkids, banda formada no Rio de Janeiro (atualmente radicada em São Paulo) e que, agora como um duo, tem como integrantes Douglas Leal (vocais, guitarras e sons eletrônicos) e Marian Sarine (bateria, percussão, baixo e sons eletrônicos). Com essa formação eles gravaram o álbum Cicatrizes do Futuro, uma paulada de 39 minutos que tem tudo para agradar os fãs dos sons estranhos (e bons).
Falar do Deafkids remete logo a outro banda que é uma instituição do underground brasileiro: o Test. As duas bandas já fizeram várias turnês juntas (em Floripa assisti ambos no Haoma, em uma segunda- feira estranha), tendo como elemento comum buscar transgredir padrões sonoros vigentes. Ainda vale citar que o Deafkids fez um álbum com o Petbrick, projeto de Iggor Cavalera. Se você curte peso, noise, sons eletrônicos e experimentalismos vai gostar de Cicatrizes do Futuro.
No som do Deafkids os vocais (ou elementos vocais) são mais um fator que se soma ao restante, para gerar a sonoridade que transita entre o extremo e o psicodélico viajante. E nesse novo álbum isso evidente em faixas como Profecia, que tem um sampler de uma fala do psicanalista/ filosofo norte- americano John C. Lilly. Mas esse álbum busca inspiração em uma tradição do nordeste do Brasil: o Bumba Meu Boi. Faixas como Parasita e Feitiço deixam claro como eles captaram o espirito da tradição regional para moldar sua sonoridade noise/eletro/punk de forma mais pensada e nervosa.
Agora como um duo, a banda dá destaque para a bateria e percussão ao longo das nove faixas do disco. Ah, a pegada eletrônica não foi esquecida, como bem mostra a faixa Simulacro (parece uma rave/macumba insana). Possessão Coletiva é a faixa que melhor sintetiza, nesse álbum, uma característica do som da banda: a sobreposição de instrumentos, sons vocais e batidas. Advertência tem uma pegada intensa que lembra, novamente, um ritual de candomblé. Em Transe fecha o disco com a mesma intensidade e peso das faixas anteriores.
Se você curte sons mais “pops”, esse lançamento, provavelmente, não vai lhe agradar. Se você curte barulheira extrema também pode torcer o nariz para Cicatrizes do Futuro. Se você gosta de música e não tem preconceitos com misturas de várias camadas de sons, esse é um álbum para ouvir com atenção. Boa diversão.
Cicatrizes do Futuro – DEAFKIDS
Gravadora: Neurot Recordings
Retornando como duo, o Deafkids busca influências brasileiras para continuar soando nervoso e intenso.
