Resenha: Mateus Aleluia – Mateus Aleluia (2025)

Resenha: Mateus Aleluia – Mateus Aleluia (2025)

(Reprodução)

Dispensando apresentações, porque caso você não conheça a voz grave de Mateus Aleluia, ou não conheça sua história, para tudo e vá pesquisar e ouvir os álbuns, o quinto álbum é uma ode ao amor, a reflexão do tempo e a questão do tempo e deleite de como se ouvir um álbum, antes de tudo.

Sem a pressa da atual geração, Aleluia como um ourives da passagem do tempo, destila seis faixas (ou doze se você prestar atenção nas delimitações de algumas faixas) em um verdadeiro exercício de contemplação musical.

“No Amor Não Mando” é uma faixa tão rica, tão completa que emociona do alto dos seus 09:27. Coral, violão, cordas, letra contemplativa. É um jogo do tempo, e sim, tempo é o que você precisa para escutar com calma, cada canção. Tempo e contemplação.

“Doce Sacrifício/Filho/Acalanto”, começa quase como uma peça barroca. Se o ritmo não lhe é familiar, dentro do universo afro/barroco/católico de Aleluia, é algo muito bem utilizado.

Sem medo do rebuscado, o som é uma verdadeira obra de arte. Com variações de andamentos, instrumentos de sopro, e sim, uma auto avaliação da finitude do ser humano, no caso, o próprio Mateus. A primeira parte da canção dividida em 3 partes é quase uma peça sinfônica. “Vou soltar meus sentimentos/já não há momentos/nem questões para questionar/ainda mais na minha idade/a melhor verdade que encontro, é ser feliz”.

O homem perece, a lenda, a música, a obra, permanece. Esse é o sentimento emanado de “Doce Sacrifício”.

“Filho” pode ter algumas interpretações. Porém o paralelo traçado na letra, mostra que até temas religiosos (uma constante na sua obra) conseguem tocar o mais complexo ouvinte, ao tratar um misto de paternidade com a complexa trama de Jesus na Terra. Como interpretações são abertas, esse parece ser o caminho mais factível, na letra.

Num misto que vai de obra barroca, a bolero, o arranjador foi de uma felicidade absurda, ao fugir de um caminho comum e abraçar a potencialidade do onírico.

“Vida dura, porém, bela/meu sofrer, minha alegria/choro e canto o acalanto pro menino que nasci”. São poucos os letristas que conseguem escrever com simplicidade, porém transformar a simplicidade em algo maior, quando a letra se encontra com a música. Uma obra magistral e atemporal.

Nesse ponto, é importante observar o trabalho absurdo de Tadeu Mascarenhas, que assina a produção musical, os arranjos e também a regência. Ao emoldurar a voz grave com sons contemplativos e orgânicos, o produtor manteve Mateus Aleluia no panteão dos músicos atemporais e dentro daqueles poucos artistas, sem um único disco irregular.

O mundo melhora muito depois da imersão nessa obra. Escute sem pressa, sem mais absolutamente nada para fazer depois. Escute sozinho, escute com alguém. Não fale, não reclame, não pense. Apenas se entregue e contemple essa obra prima.

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Mateus Aleluia – Mateus Aleluia

Gravadora: Independente

Contemplação, música barroca, amor e tempo. Os diversos tipos de amor em 6 partes que se dividem em 12 canções magnificas!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.