Resenha: Replay – Da Lama ao Caos (2025)

Resenha: Replay – Da Lama ao Caos (2025)

(Reprodução)

Releituras, covers, tributos e afins, são uma faca de dois gumes, acertam ou erram, dificilmente ficam no meio termo, o acerto que fica na margem do “bom”, ou “ok”.

Uma versão “FODA PRA CARAMBA” que poderia ser um substituto para a versão original, não costuma ser o acerto contumaz.

Dito isso, O “tributo” “Replay” “Da Lama ao Caos” é uma estrada cheio de buracos, curvas sinuosas, e poucas viagens nessa estrada que dão certo.

Para quem conhece, ou viveu a época da década de 90, viu shows de Chico Science e Nação Zumbi, a visão que esse tributo nos traz é uma homenagem irregular “para a porra”, utilizando uma expressão de quem é de lá e para quem morou lá.

 As 3 primeiras faixas, são inconstantes. Jup da Bairro, com uma aceleração desnecessária com pegada totalmente eletrônica, acelera “Monologo ao Pé do Ouvido” e homenageia figuras emblemáticas em uma faixa errática. Sonoramente falando.

Marcelo D2, cai na mesma pegada, incorpora o eletrônico, e comete uma versão de “Banditismo `Por Uma Questão de Classe”, uma faixa com uma roupagem atualizada que se mostra datada.

O Black Pantera, uma banda que vem se mostrando cada vez maior ao passar dos anos, sem abandonar a sua mensagem, erra a mão em “Rios, Pontes e Overdrives”, ora pesada, ora na mesma toada da canção original. Perdeu a identidade, totalmente.

Tenho uma teoria. Se o disco não te pega nas 3 primeiras músicas, não compre. Essa regra dificilmente se mostra errada.

Mas, para nossa alegria, Chico Chico e Machete Bomb, conseguem salvar “ A Cidade”. Uma ode à música original, porquê?

Porque, Chico Chico tem a manha mezzo carioca, mezzo de um ouvido muitíssimo bom, e a Machete Bomb costuma fazer discos com tanta mistura que entendeu a faixa que iriam mexer.

Confesso que não conhecia UANA, a autora da quinta faixa é outro acerto. Voz muito boa, sotaque maravilhoso e aquela pegada que “A Praieira” merecia, mezzo malomente, mezzo caliente.

FBC me surpreendeu. Não que eu não goste do artista. Mas meteu uma colagem tão impressionante de samplers, que remeteu muito aos anos 90! Ficou tão bom ou superior a faixa original, “ Samba Makossa” (lembram quando eu escrevi antes? Ou supera ou fica na média?) É isso!

A faixa mais criativa e luminosa do tributo!

Sétima faixa, Duda Beat, mais do mesmo. Não é ruim, mas não sobressai, aí voltamos ao já citado anteriormente.

Mais cinco faixas adiante, e duas me chamaram muita atenção, principalmente pelo entendimento que cada um fez da sua interpretação. “Salustiano Song” com Sofia Freire e Chinaina e “Risoflora”, com Louise.

Cada interpretação tem a sua peculiaridade, sua identidade de transcender a canção original, uma nova vertente.

Louise eleva a sua interpretação a um nível que ninguém conseguiria nesse tributo, a se sai muitíssimo bem, por razões que quem prestar atenção, irá entender.

E na toada de muitos guaiamuns ou caranguejos, o tributo se sai numa nota regular, principalmente pelo fator que oscila mais que os beats aplicados. Irregulares, roupagens dispares, e uma tentativa de remissão de novos artistas assumindo o comando que lhes fugiu logo de início.

5.8

Da Lama ao Caos – Replay: Diversos

Gravadora: Independente

Guaiamuns, caranguejos e diversos seres sonoros num mafuá louco de tentar atualizar um disco atemporal. Deu mais ou menos ruim.

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.