Resenha: Benson Boone – American Heart (2025)

Resenha: Benson Boone – American Heart (2025)

(Reprodução)

Ah, Benson Boone. Eu estava torcendo pra você ter sumido para todo sempre, mas você voltou.

Talvez você, caro leitor, não saiba quem ele é, mas provavelmente já ouviu os gritinhos dele cortados de “Beautiful Things” no fundo de uma infinidade de vídeos curtos no TikTok ou no Instagram Reels. Agora ele voltou e já está dedicado aos soundbites de redes sociais com seu segundo álbum, American Heart. O álbum é claramente feito pra vender e pra ser usado a esmo nas redes sociais. Três das dez músicas do curtíssimo álbum (ele tem pouco mais de trinta minutos de duração) foram lançadas antes do álbum propriamente dito, e a chatíssima “Mystical Magical” já está circulando no fundo de vídeos de meninas brancas padrão tomando seus cafés superfaturados do The Coffee.

Benson grita, sussurra, empilha infinitas camadas de vozes processadas até que tudo vire uma maçaroca de sentimento genérico. E ele faz isso porque funciona. Porque o algoritmo precisa de um melodrama digerível em vídeos de trinta segundos. A capa, com um Benson bigodudo e sujo, abraçado numa bandeira americana, tenta ser tudo que ele não é. Tudo é limpinho e embalado num plástico brilhante, escondendo um enorme vazio emocional. Ele canta e grita como se estivesse chorando, mas aposto que não derramou uma lágrima sequer no estúdio.

E antes que alguém diga “mas, Alexandre, ele tem só 21 anos…”, lembro-os que Billie Eilish tinha 17 quando lançou When We All Fall Asleep… enquanto ele tá aí, dando saltos mortais em cima do palco e se arrastando em cima de um piano como se fosse o primeiro homem a ter o coração partido na história da humanidade.

American Heart não tem coração, não tem alma, e não tem nada que valha ouvir. É a trilha sonora de um algoritmo faminto, disfarçada de vulnerabilidade pop. Benson Boone é o retrato de um sentimentalismo raso. E quem ouve ele sabe disso. Se mesmo apesar de todas as minhas críticas ainda quiser ouvir este álbum, não vá buscando nenhum tipo de profundidade. Aqui só tem efeito vocal, clichê e uma sequência infinita de refrões pensados pra tocar em rede social.

E todos vão compartilhar. Mesmo sabendo que é ruim. Mesmo sabendo que é vazio. Porque, no fim das contas, o algoritmo não exige qualidade — só volume.

2.3

American Heart – Benson Boone

Gravadora: Warner Records

Se esse disco fosse um quarto de hotel, seria decorado só com frases motivacionais e luzes de LED. Tudo limpo, bonito, instagramável — e absolutamente sem alma.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.