Resenha: Lebanon Hanover – Asylum Lullabies (2025)

Resenha: Lebanon Hanover – Asylum Lullabies (2025)

(Reprodução)

Nem de longe conheço muito do universo sombrio, gótico e até certo ponto macabro do darkwave e post-punk, mas, do pouco que conheço, sei que poucos nomes carregam uma aura tão sincera quanto Lebanon Hanover.

Asylum Lullabies, lançado hoje, dia 10 de julho de 2025, chegou ao streaming ocupando e inquietando minha manhã laboral. Talvez, se tivesse ouvido na madrugada de hoje, o silêncio me invadiria, e eu sentiria apenas o eco das batidas do meu coração, junto aos graves e sussurros etéreos de William Maybelline e Larissa Iceglass. Mas nem foi assim.

O disco abre com Pagan Ways, e logo fica claro o clima intimista e soturno. É baixo, guitarra e um vocal para escutar em dias cinzentos e frios, preferencialmente em alguma floresta do Leste Europeu. Funciona para o Brasil? Pra caralho! Até porque o duo detém uma base consolidada de ouvintes aqui, principalmente depois da turnê do ano passado.

Das 8 faixas, destaco ainda as já trabalhadas como single Torture Rack e Sleep. O esquema é o mesmo: melodias minimalistas, sussurros, frio soturno, sofrimento e um possível colapso.

E é evidente que as referências estão todas ali (Siouxsie, The Cure, Depeche, Bauhaus), mas, neste sétimo trabalho, o duo imprime sua própria assinatura, mais crua e menos teatral.

Por isso, se você procura trilha para festas, passe longe. Mas se quer um disco para ouvir sozinho, de luz apagada, sentindo o peso do mundo e, quem sabe, encontrando algum consolo para afundar ainda mais numa crise existencial, Asylum Lullabies é um convite irrecusável.

7.4

Asylum Lullabies – Lebanon Hanover

Gravadora: Fabrika Records

Se você procura trilha para festas, passe longe. Mas se quer um disco para ouvir sozinho, de luz apagada, sentindo o peso do mundo e, quem sabe, encontrando algum consolo para afundar ainda mais numa crise existencial, Asylum Lullabies é um convite irrecusável.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.