Resenha: SNAKES SNAKES SNAKES – Syk (2025)

Resenha: SNAKES SNAKES SNAKES – Syk (2025)

(Reprodução)

Jesus Cristo, que pedrada!

Às vezes, a coisa que você menos espera aparece na sua frente — e era exatamente daquilo que você precisava. Pode chamar de destino, desígnio divino, casualidade ou o que for. Pode até ser o caos do universo apontando a gente na direção certa. Esta semana, podemos dizer que foi o inexorável destino que me levou até Syk, o primeiro álbum do quarteto polonês SNAKES SNAKES SNAKES.

É difícil levar a sério uma banda com um nome triplo em caixa alta, mas às vezes parece que todos os nomes já foram usados — então vamos dar uma chance a estes poloneses reptílicos. Até porque, se um álbum independente gravado e produzido em Łódź chegou até meus ouvidos no Brasil, essa chance é mais do que merecida.

Fazia tempo que eu não ouvia um disco com um começo tão forte. “Fck It” abre oficialmente o álbum: um hino punk simples, direto e extremamente contagiante, que faz você bater a cabeça o tempo todo. Na sequência, “Love” é uma das faixas mais legais que ouvi este ano. Novamente a banda estabelece a base com um riff incrível, mas, ao contrário da faixa anterior, aqui temos um refrão atmosférico e rico, cheio de camadas e harmonias. Em “Ty” e “Grey”, o grupo muda completamente de gênero — mas ainda segura a identidade, principalmente por conta dos vocais de Żaneta Zawierta.

Me peguei diversas vezes tentando identificar referências e influências em cada música, mas é tudo tão diverso, como uma colagem do Basquiat. É tanta coisa diferente acontecendo ao mesmo tempo que fica difícil reconhecer elementos isolados. Mas, no conjunto, a banda conseguiu fazer algo único — e unicamente seu.

E o mais impressionante: mesmo flertando com tantos estilos — punk com cara de Riot Grrrl em “Stupid Men”, ecos noventistas em “Fcking Difficult”, indie em “Up to You” e “Rzeka”, e momentos introspectivos em “Stalemate” e “Eyes” — a SNAKES SNAKES SNAKES nunca perde o fio. Tudo soa coeso, pulsante, vivo. Há algo que sustenta o conjunto: um caos cuidadosamente orquestrado. Uma identidade que não se dobra aos gêneros — os absorve.

Syk é tudo que o rock moderno deveria ser. Enquanto muitos seguem repetindo tendências, a SNAKES SNAKES SNAKES cria um som só seu — irreverente, barulhento e maravilhoso. Uma pedrada deliciosa no ouvido, tão inexorável quanto o destino que me levou até este álbum. Mais do que isso: um lembrete de que ainda vale a pena procurar por novos sons, mesmo quando tudo parece saturado.

9.4

Syk – SNAKES SNAKES SNAKES

Gravadora: Independente

Tudo que o rock moderno deveria ser. Incisivo, pungente, barulhento e absolutamente maravilhoso.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.