Eu realmente odiei cada segundo de audição de El Baile Rock. Radicada em Belém, capital do Pará, a Les Rita Pavone existe há mais de dez anos e este é seu primeiro álbum completo. Ouvi o álbum inteiro duas vezes e o pensamento “não é possível um negócio desses” se repetiu inúmeras vezes na minha cabeça. Resolvi que não dava pra escrever sobre este disco. Fui e voltei algumas vezes, olhando pro rascunho na tela do PC, me chamando para terminá-lo. Hoje, decidi dar mais uma chance para o disco.
Sempre que resenho um álbum, pesquiso um bocado sobre a obra e o artista antes de escrever a resenha. Evito ler outras críticas para não influenciar meu texto, e mesmo que seja um artista que eu conheço bem, eu faço um trabalho de redescoberta e audição prévia antes de entrar de cabeça num novo texto. No caso da Les Rita Pavone, havia uma produção restrita a alguns singles e EPs lançados nos últimos anos, além de alguns vídeos de apresentações deles no YouTube.
Eu realmente dei uma chance a eles.
Uma coisa que permeia na música brasileira é a necessidade de integrar diversos estilos musicais ou de abrasileirar ritmos importados. Os resultados são bem variáveis.
São tantos ritmos, gêneros, referências e influências misturados que o álbum e as canções que o compõem ficam disformes e soltas. Tudo tem a identidade da banda e produção similar, mas mesmo depois de ter ouvido o álbum tantas vezes eu não consigo definir a identidade da banda. Há uma verve meio aquele samba-rock xarope e intelectualóide da Farofa Carioca (lembram deles? eu infelizmente lembro), com referências a The Clash, Jards Macalé, Jorge Ben, pinceladas de David Byrne e guitarras disputando espaço com cavaquinhos. Aí temos ritmos caribenhos, bolero e tanta coisa, mas tanta coisa…
Mas meu maior problema é com a faixa-título, “El Baile Rock”, que fecha o álbum.
Acredito que minha avaliação — e minha experiência — teria sido melhor se ela não existisse. Apesar da mistureba, ainda existia uma coesão rítmica entre todas as faixas e uma identidade clara de um álbum que pode ser apreciado como experimento. “El Baile Rock” é uma faixa que parodia o rock e suas convenções de uma maneira tão pueril, tão básica e extremamente clichê. Até os Mamonas Assassinas já o fizeram.
Na minha terceira — e última — audição, eu simplesmente desisti da faixa e vim escrever o texto. Eu geralmente escrevo ouvindo o álbum. Ás vezes vem uma ideia nova, e confesso que algumas vezes eu mudei de ideia enquanto escrevia a resenha porque percebi algo que não havia percebido. Desta vez, escrevi em silêncio. Meu cérebro e meus ouvidos pediam descanso.
No caso de El Baile Rock, o produto final é uma maçaroca esquisita que tem uma questão semântica como seu maior problema: Não é rock — nem em sua versão em inglês em caixa alta ROCK, nem em português “róque”, ou na sua variação raulseixística “ronquenrou”.
Pior, é um baile que ninguém — além da banda — dança.
El Baile Rock – Les Rita Pavone
Gravadora: Selo Maxilar
Eu realmente não acredito que ouvi um álbum que tem "na manha da aranha" como verso da lírica da primeira faixa.
