Resenha: Les Rita Pavone – El Baile Rock (2025)

Resenha: Les Rita Pavone – El Baile Rock (2025)

(Reprodução)

Eu realmente odiei cada segundo de audição de El Baile Rock. Radicada em Belém, capital do Pará, a Les Rita Pavone existe há mais de dez anos e este é seu primeiro álbum completo. Ouvi o álbum inteiro duas vezes e o pensamento “não é possível um negócio desses” se repetiu inúmeras vezes na minha cabeça. Resolvi que não dava pra escrever sobre este disco. Fui e voltei algumas vezes, olhando pro rascunho na tela do PC, me chamando para terminá-lo. Hoje, decidi dar mais uma chance para o disco.

Sempre que resenho um álbum, pesquiso um bocado sobre a obra e o artista antes de escrever a resenha. Evito ler outras críticas para não influenciar meu texto, e mesmo que seja um artista que eu conheço bem, eu faço um trabalho de redescoberta e audição prévia antes de entrar de cabeça num novo texto. No caso da Les Rita Pavone, havia uma produção restrita a alguns singles e EPs lançados nos últimos anos, além de alguns vídeos de apresentações deles no YouTube.

Eu realmente dei uma chance a eles.

Uma coisa que permeia na música brasileira é a necessidade de integrar diversos estilos musicais ou de abrasileirar ritmos importados. Os resultados são bem variáveis.

São tantos ritmos, gêneros, referências e influências misturados que o álbum e as canções que o compõem ficam disformes e soltas. Tudo tem a identidade da banda e produção similar, mas mesmo depois de ter ouvido o álbum tantas vezes eu não consigo definir a identidade da banda. Há uma verve meio aquele samba-rock xarope e intelectualóide da Farofa Carioca (lembram deles? eu infelizmente lembro), com referências a The Clash, Jards Macalé, Jorge Ben, pinceladas de David Byrne e guitarras disputando espaço com cavaquinhos. Aí temos ritmos caribenhos, bolero e tanta coisa, mas tanta coisa…

Mas meu maior problema é com a faixa-título, “El Baile Rock”, que fecha o álbum.

Acredito que minha avaliação — e minha experiência — teria sido melhor se ela não existisse. Apesar da mistureba, ainda existia uma coesão rítmica entre todas as faixas e uma identidade clara de um álbum que pode ser apreciado como experimento. “El Baile Rock” é uma faixa que parodia o rock e suas convenções de uma maneira tão pueril, tão básica e extremamente clichê. Até os Mamonas Assassinas já o fizeram.

Na minha terceira — e última — audição, eu simplesmente desisti da faixa e vim escrever o texto. Eu geralmente escrevo ouvindo o álbum. Ás vezes vem uma ideia nova, e confesso que algumas vezes eu mudei de ideia enquanto escrevia a resenha porque percebi algo que não havia percebido. Desta vez, escrevi em silêncio. Meu cérebro e meus ouvidos pediam descanso.

No caso de El Baile Rock, o produto final é uma maçaroca esquisita que tem uma questão semântica como seu maior problema: Não é rock — nem em sua versão em inglês em caixa alta ROCK, nem em português “róque”, ou na sua variação raulseixística “ronquenrou”.

Pior, é um baile que ninguém — além da banda — dança.

4.7

El Baile Rock – Les Rita Pavone

Gravadora: Selo Maxilar

Eu realmente não acredito que ouvi um álbum que tem "na manha da aranha" como verso da lírica da primeira faixa.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.