Resenha: Mac DeMarco – Guitar (2025)

Resenha: Mac DeMarco – Guitar (2025)

(Reprodução)

Hype. Modinha. Talento. Simplicidade. Autenticidade. Intimismo.

Chame como quiser, mas, desde que apareceu como o malandro canadense do indie lo-fi, Mac DeMarco marcou uma geração de jovens hipsters, indies, rockeiros soft ou simplesmente pessoas que querem sentar e ouvir um bom som, sem tanto barulho.

E sim: depois de idas e vindas, e de experimentalismos (ao meu ver inúteis), é apresentado Guitar, seu sexto trabalho de estúdio. Gravado de forma caseira no final do ano passado, o álbum contém 12 faixas que circulam entre arrependimentos, envelhecimento e relações partidas. Assim, o disco retoma a confissão íntima que fez de This Old Dog (2017) um marco em sua trajetória.

A primeira música, “Shining”, acentua a nostalgia e a melancolia, dando o tom para o álbum, já conhecido a partir de três singles lançados nos últimos meses.

Podemos dizer que o artista voltou à sua fórmula tradicional, de sucesso, que tanto conquistou a galera nos últimos tempos. Artista sobrevalorizado? Isso é discussão para uma mesa de bar. O que é inegável é que o Brasil se tornou uma terra fértil para suas sementes: de uma data única em São Paulo, esgotada em poucos minutos, passamos a uma extensa turnê de nove datas em quatro regiões, incluindo um show totalmente sold out em Florianópolis, no dia 15 de abril.

Mas voltemos ao trabalho em si. “Sweeter” e “Rock and Roll” soam tão simples que chegam a beirar a simplicidade extrema. Já “Home” e “Punishment” mostram um Mac mais maduro e menos cínico em relação às letras. E enquanto alguns veem isso como crescimento pessoal, outros podem apenas notar um artista preso ao molde que ele mesmo ajudou a consagrar. O fato é que DeMarco virou referência global em lo-fi e, por isso, cada disco novo é também um espelho da própria imagem.

No resumo, Guitar é cru, intimista e, aos poucos, cativante. Não é uma reinvenção, mas entrega a honestidade que os fãs mais fiéis esperam. Para quem acompanha desde os tempos de 2 ou Salad Days, vai soar como um abraço familiar. Para quem esperava um passo além, talvez fique a dúvida: Será que já não é o suficiente?

7.4

Guitar – Mac DeMarco

Gravadora: Mac's Record Label

Cru, intimista e, aos poucos, cativante.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.