Resenha: Superchunk – Songs in the Key of Yikes (2025)

Resenha: Superchunk – Songs in the Key of Yikes (2025)

(Reprodução)

No segundo episódio da série argentina El Eternauta, tem uma frase que, depois que a ouvi, mudou o conceito e a ideia que eu tinha sobre alguns aspectos: Depois de resgatar Juan da rua, num carro antigo, o tano olha pra ele o fala “Lo viejo funciona, Juan. Lo viejo funciona”.

Talvez seja pelo fato de estar mais perto dos dos 40 que dos 30, mas tenho despertado muito interesse em bandas mais antigas, que trazem o bem-feito há muito tempo e continuam, por aí, fazendo o que sabem fazer: música de verdade. E é nessa linha de contexto que vou falar sobre o Superchunk.

E três décadas depois de terem colocado Chapel Hill no mapa alternativo e fundado a Merge Records, o quarteto solta Songs in the Key of Yikes (2025), seu 13º disco de estúdio.

É o primeiro registro com Laura King na bateria, ocupando o posto histórico de Jon Wurster, e a troca não diminui o impacto: pelo contrário, injeta energia nova em faixas como “Is It Making You Feel Something” e “Bruised Lung”, que soam atuais, sinceras e etéreas (você sabe o que é isso? É a nova palavra da moda no jornalismo cultural).

E esse trabalho, não é sobre viver do passado. Há uma renovação na musicalidade do conjunto, e isso pra mim fica evidente em faixas como “Everybody Dies”, “Cue” e Stuck in a Dream: guitarras distorcidas, um ritmo acelerado e melodias cativantes, isso sem esquecer uma bateria rápida e vocais com forte expressão emocional de Mac McCaughan.

Ao todo 10 novas músicas em pouco mais de 38 minutos que provam, mais uma vez, que envelhecer no rock não precisa ser sinônimo de acomodação ou ostracismo. Um prato cheio para quem sabe, shows pelo Brasil em 2026? (a última apresentação da banda foi em 2011).

8.1

Songs in the Key of Yikes – Superchunk

Gravadora: Merge Records

Songs in the Key of Yikes é a prova viva de que algumas bandas simplesmente não quem (e não devem) parar.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.