White Reaper – Only Slightly Empty (2025)

White Reaper – Only Slightly Empty (2025)

(Reprodução)

No final de 2017, os redatores do Under Floripa — junto com alguns amigos e colaboradores — escolhemos nossos álbuns favoritos do ano. Foram dez lançamentos nacionais e dez internacionais. Na minha lista, entre os internacionais, estava o segundo álbum da White Reaper: The World’s Best American Band. A lista daquele ano estava carregadíssima: o retorno do Slowdive e da Ride, Melodrama da Lorde, DAMN. do Kendrick Lamar, o primeiro disco solo do Liam Gallagher… e, no meio de tudo isso, o álbum de uma banda independente do Kentucky lançado por um selo pequeno.

E eu não estava sozinho nessa. Até a Pitchfork — publicação que costumo usar como referência contrária em quase tudo que escrevo — deu uma ressonante nota 8.0 para os rapazes.

Depois veio o terceiro álbum, o primeiro por uma gravadora grande: You Deserve Love. Não é um disco ruim, mas eu senti falta daquela vibe garageira dos trabalhos anteriores. O sucessor, Asking for a Ride (2023), seguiu a mesma tendência e abraçou de vez o pop punk, deixando para trás as raízes da banda. Pouco mais de um ano depois, os irmãos Nick e Sam Wilkerson — baixista e baterista, respectivamente — anunciaram a saída.

Os remanescentes continuaram e lançaram Only Slightly Empty, o quinto trabalho, agora como trio.

Ouvindo este álbum, sinto que fui enganado.

A primeira faixa, “Coma”, é exatamente o que eu esperava deles: a voz de Tony Esposito gritando na minha cara, baixo e guitarra sincopados, um solo divertidíssimo em sua simplicidade e uma bateria cheia de harmônicos. É uma gravação com cara de take one — todo mundo tocando junto e dando uma dor de cabeça danada ao produtor. Uma abertura digníssima.

Infelizmente, o álbum não mantém a toada.

“Blink” e “Honestly” já deixam claro que este é mais um disco de pop punk da White Reaper. Mas se fosse apenas isso, eu dava um 6.5 ou 7.0 e ficava satisfeito. O problema é que Only Slightly Empty descamba para uma farofada que deixaria até David Coverdale, em sua fase mais terno branco e cabelo de poodle no Whitesnake, constrangido. Já torci o nariz com o chorus exagerado em “Freakshow” e “Pocket”, mas a coisa só cresce — e junto com ela vem uma dor de cotovelo e um chororô que fazem a banda deslizar do universo do pop punk para um emo sem core e sem vida.

Quando os irmãos Wilkerson deixaram a banda, um dos motivos alegados foi a insatisfação com a direção criativa que a banda estava tomando. Ao ouvir este álbum, esse motivo fica ululantemente claro. Eu, chateado que a melhor banda americana do mundo já não pode mais ostentar esse título, volto ao conforto de “Judy French”.

O fato de o clipe ter a Alexandra Daddario é um mero detalhe.

Começar
4.8

Only Slightly Empty – White Reaper

Gravadora: Blue Grape Music

Pra uma banda que foi fraturada no meio, este álbum até que é bem razoável.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.