Nascida das cinzas (embora uma das peças da atual equação, possa contrariar o pensamento de uma pseudo continuidade) da John Filme (Chapecó), a Tutu Nana, é um quarteto radicado em São Paulo, mas com fortes raízes na música livre e na forte transgressão e um forte propósito: por que acreditar em um estilo quando podemos usar todos?
Com 8 faixas visitando inúmeros ritmos — indie, jazz, jazz fusion, minimalismo… — a Tutu Nana entra de vez no hall das bandas que se soltam das amarras sonoras.
Na terceira faixa, “Necessaire”, consegui enxergar uma referência bastante interessante, que é transformar a canção em algo visual, como Serge Gainsbourg fazia há décadas atrás.
O jazz continua na canção “Pista”, com aquela pegada de letras nonsense, cadência crescente e a liberdade de uma banda livre, para ousar e experimentar de tudo, a graça é justamente essa! Ligar os equipamentos e deixar a liberdade comandar.
“Falsa-Coral” é um deleite puro! Psicodelia, flauta transversal, viagem, baixo, e uma crescente…
E o que vem a seguir vem ser a prova viva que, para algumas bandas, a liberdade é o infinito: mais minimalismo, mais experimentações e mais lisergia, onde poderia soar tudo uma imensa loucura, a loucura se transforma em uma imensa imersão da experimentação sonora e transborda em alegria e loucura, como deve ser na música.
Tom Jobim, onde estiver, estaria feliz conversando com Frank Zappa.
Masculine Assemblage – Tutu Nana
Gravadora: Seloki Records
Tudo vale a pena, quando a música é livre, quando cabe na mesma linha: Tom Jobim e Frank Zappa!
