Escambau – Acústico 15 Anos no Teatro Paiol (Ao Vivo) (2025) 

Escambau – Acústico 15 Anos no Teatro Paiol (Ao Vivo) (2025) 

(Reprodução)

Para poder tecer qualquer crítica a alguma banda ou artista, mantenha-se como Lester Bangs foi retratado no filme Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe, em uma das cenas mais intensas da película: não seja amigo ou inimigo das bandas, mas sim um observador com um ponto de vista crítico.

Infelizmente, um dos meus amigos recentes mais próximos me chamou de “isentão”, em algum momento oportuno de xingamentos diários dentro do grupo que criamos para desenvolver pautas diárias.

E, dito isso — ou tendo chegado até aqui — não sou nada isento para discorrer a respeito do aniversário de 15 anos da Escambau, um quinteto de Curitiba que, assim como outras excelentes bandas, se originou com o “fim” de outra (que não foi bem o que aconteceu, mas não vem ao caso).

Com uma primeira formação ainda carecendo de identidade própria, Giovani Caruso e o Escambau era um próximo passo do frontman da Faichecleres após anos de estrada e excessos: uma banda com sua identidade, sem os cacoetes e com outros caminhos musicais.

Dali em diante, disco após disco, a banda evoluiu para uma pequena (ou grande) família, com tentáculos musicais espalhados pela cidade.

Ao chegarmos em 2025, com a gravação do disco ao vivo no aconchegante Teatro Paiol, a banda — hoje formada por Yan Lemos, Zo Tuzini, Babi Age, Giovani Caruso e Maria Paraguaya — consegue unir todos os sons e todas as loucuras das letras, com críticas apontadas diretamente para as desigualdades sociais e a extrema direita brasileira, com melancolia, delicadeza, rock, pop e insurgência sonora poucas vezes vista nas bandas independentes.

Desde “Sonhador Demais” (Sopa de Cabeça de Bagre, 2017), passando pela inevitável “Facista” (Leite de Pedra, 2019) — isso somente nas duas primeiras faixas —, o disco é um verdadeiro libelo, um passeio pela discografia da banda, dos primórdios até o passado mais recente.

Algumas (muitas!!!) canções não entraram no acústico, e aqui não vale enumerar a quantidade nem a qualidade que ficaram de fora.

O interessante é que, de uma canção a outra, a crítica — velada ou não — estará em cada vírgula cantada: Zero à Esquerda e Verão Seus Olhos. Tudo está ali, explicitamente ou intrinsecamente.

No grande agrupamento de belas letras e demais assuntos (sim, Escambau é como se fossem capítulos de um gigantesco livro), a banda segue com outras belíssimas obras: Cometa, Fogo, Epístola de Um Homem a Si Próprio e Atos de uma Anti-Hepática.

Óbvio que a verve natural da banda com a música latina não ficaria de fora: Duro in Mi Coche, uma celebração ao rock latino, lançado em compacto com 4 faixas, hoje item raro.

Foram 15 faixas, executadas com maestria e precisão, que mesmo em ritmo acústico mostraram um retrato de uma banda que traz o melhor da cena independente e urge para rasgar as entranhas de que pode flertar com o mainstream.

ESCAMBAU É GRITO, É INDEPENDÊNCIA, É AMOR E REVOLUÇÃO!

10

Acústico 15 Anos – o Teatro Paiol (Ao Vivo) – Escambau

Gravadora: Independente

Alegrias, amigos, um show ao vivo e também acústico. Um libelo contra o facismo e uma ode a como se combater o facismo com a ARTE!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.