Comprei pela embalagem. Quando vi a colagem da capa de “Reticências três pontos”, primeiro EP dos curitibanos de Adeusaturno, me conectei com meu eu de 2007, pois me lembrou a mesma estética visual e de colagem do EP do Sweet Suburbia. Mas só isso mesmo.
Aqui o som é diferente, moldado num fuzz com pitadas de grunge em português, que trazem um ritmo lento e decadente (no bom sentido), ambientado no que tocava na MTV lá por 98.
O trabalho abre com “Sofá”, que aborda a interessante tese sobre o cansaço moderno, o burnout travestido de rotina. Já “todo mundo passa pano” inicia com um groove de baixo que lembra as primeiras músicas do Charlie Brown Jr mas, ao cadenciar a música, temos um rock que transmuta o grunge com pitadas de shoegaze.
No meio do caminho, “Onde é hoje?” acena pro lado mais sujo e melódico do rock dos 90. As duas últimas faixas “So Far Away” e “Uberaba” mergulham de vez no clima “decadente” (agora com aspas), trazendo o que poderíamos chamar de rock triste.
Em resumo de poucas palavras, uma estreia interessante do trio curitibano. Talvez tenha faltado um pouco de ousadia como os conterrâneos do Relespública ou Faichecleres, mas de fato, é uma boa música para ouvir de madrugada, com as luzes da cidade refletindo no para-brisa do carro.
Adeusaturno — Reticências três pontos (2025) – Adeusaturno
Gravadora: Indepedente
Em resumo de poucas palavras, uma estreia interessante do trio curitibano. Talvez tenha faltado um pouco de ousadia como os conterrâneos do Relespública ou Faichecleres, mas de fato, é uma boa música para ouvir de madrugada, com as luzes da cidade refletindo no para-brisa do carro.
