O valor de um split — normalmente uma colaboração (hoje reduzida ao termo colab) entre uma banda e outra em uma mídia musical — vem de décadas atrás.
Reflectors, Vol. I é um split que traz duas bandas, com cinco faixas cada.
Na primeira parte, os norte-americanos do Reverse Death, banda de Seattle — um quarteto que produz ambient jazz e fuzz pop, apenas para ficarmos nas linhas musicais mais palpáveis. Trocando em miúdos: uma banda que toca num ritmo mais baixo, mais calmo, uma ambiência sonora delicada e cheia de sutilezas.
Reverse Death é um mar plácido. A calmaria e generosas pitadas de jazz permeiam as faixas.
“Mud Pool Mind” é uma delicada introdução — parece a abertura de um filme europeu dos anos 60, ou um experimento sonoro. Um cenário onírico e encantador. 05:10 de calmaria e contemplação.
“Lilies on the Water” traz outro cenário, dessa vez com delicados vocais — uma espécie de canção de ninar psicodélica.
As cinco faixas são uma mistura bem engendrada de psicodelia e jazz.
Algo que faz muito bem a ponte com a outra banda do split: Oruã.
Com as experimentações de sempre, jogando em terreno fértil, “De Se Envolver (Demo Rio)” se tornou uma quase nova canção no quinto álbum dos cariocas (que será tratado em outra resenha).
O interessante é que as cinco canções foram gravadas em lugares e tempos diferentes. Seria uma experimentação? Todas tratadas como demos.
De Cabo Frio, Rio de Janeiro (capital), Búzios e Seattle — lugares diferentes, espírito andarilho, músicas para fritar e contemplar não apenas uma, mas duas bandas que correm em países distintos, mas que uniram forças e fizeram bonito!
São duas bandas — uma como que complementando a outra: uma calma e outra mais aflita em seu som.
Não escute apenas o álbum virtual. Compre o disco físico!
Reflectors, Vol. I – Reverse Death & Oruã
Gravadora: Half Shell Records
Fritação, ambiência, duas bandas, 8 pessoas. Fuzz, Jazz e Psicodelia! Comprem logo o disco fisico!
