A cena alternativa da América do Sul vive um daqueles ciclos em que tudo parece borbulhar ao mesmo tempo: bandas trocando palcos, público em alta e uma barreira cada vez menor entre o espanhol e o português. É nesse caldo fértil de guitarras, urbanidade e suor que surgiu a Winona Riders, uma das joias mais autênticas da atual cena argentina, que lançou “Quiero que lo que yo te diga sea una arma en tu arsenal”, seu quarto álbum de estúdio em apenas três anos.
Formada em 2018, a Winona Riders é um quinteto conhecido por shows explosivos, letras politizadas e uma postura que mescla ativismo, arte e muito barulho. No ano passado, a banda fez um catártico show em São Paulo e foi convidada para abrir o show do Primal Scream na capital argentina. Sem dúvidas, um feito que consolida seu nome dentro do circuito latino de rock alternativo.
Mas voltando ao álbum: são dez faixas em pouco mais de 51 minutos, num som que é puro desassossego latino. Guitarras stoner e barulho autêntico se cruzam com sintetizadores hipnóticos e incursões dub que dão novo fôlego à psicodelia urbana da trupe. Faixas como “Sucios Para Jugar”, “Dr. Faim”, “En Mi Radar” e “Viajando en el asiento de atrás” exemplificam bem a mistura de criatividade, sujeira e intensidade que marcam o atual cenário argentino.
Sinceramente, é difícil achar algo que desagrade. Talvez a banda peque por insistir em manter vivo um espírito à margem do mainstream, o que a torna menos acessível ao grande público. Mas é justamente aí que reside sua força: “Quiero que lo que yo te diga sea una arma en tu arsenal” soa barulhento pra caralho, urgente e extremamente eficiente. Uma grata novidade para os pulmões da cena alternativa do sul do sul do mundo.
Quiero que lo que yo te diga sea una arma en tu arsenal – Winona Riders
Gravadora: Independente
Em suma, Winona Riders entrega o caos, o barulho e o stoner que nem Hollywood encena direito.
