Existem artistas que trafegam entre um eterno underground e um limiar de mainstream. No gigantesco universo da música pernambucana, Ortinho é um desses casos. O cantor está há tempo demais na estrada, continua no cenário independente, mas trafega entre várias mídias.
Trafega como amigo e também compositor de outros tantos músicos pernambucanos. E cá entre nós? É UM PUTA COMPOSITOR!
Às vezes, o palavrão se faz necessário, não como elemento alegórico, mas como uma forma de chamar atenção.
Ortinho é LENDA! Vindo da escola direta de Alceu Valença, suas letras têm franqueza, têm verdades e poesia. Precisa de mais?
Ortinho Repentista é um álbum composto por nove faixas, em sua maioria desnudas de rebusques alegóricos. Porque é na singeleza que Ortinho ganha.
Ganha com releituras diretas e nada envoltas por desvios sonoros, como ocorre em “Quando Eu Olho para o Mar” (Alceu Valença).
“Senhora do Amor”, que delícia de canção. Posso me repetir? O simples é complexo. Transformar frases em uma ideia complexa, mas que, no fim, é simples.
Talvez, musicalmente, o disco peque em arranjos pueris, como “Alice, Amor e Paixão”: uma letra absurda, mas com um arranjo que destoa. Essa faixa deveria ser o ápice da obra.
As letras variam, são, em um todo, muito boas; os arranjos é que destoam da metade do disco em diante.
A exceção é “Grito de Arara” e “De Repente Cássia Eller”: letras e arranjos à altura!
Em um todo, Ortinho Repentista é um disco muito acima da média, com uma batalha que nenhum dos lados vence. É um trabalho crível e humano pra caralho!
Ortinho Repensista – Ortinho
Gravadora: Tratore
Um dos grandes compositores que se lança entre o pop, brega e releituras acima da média!
