Nota-se que este álbum é o primeiro trabalho gravado inteiramente fora de estúdios brasileiros pelo quarteto Oruã.
Embora duas faixas já tenham aparecido no split com a Reverse Death (“Deus Dará” e “De Se Envolver”), é um dos discos mais solares e próximos da música pop que a banda já lançou, desde Sem Benção/Sem Crença (2017), seu primeiro trabalho.
Não é um álbum em que vamos ser surpreendidos. Ele tem ótimos momentos, mas, em alguns, foge da já tradicional e acachapante avalanche sonora a que somos submetidos desde o surgimento do conjunto Oruã.
Longe de ser um álbum mediano, é um álbum solar. Tem a energia e a sonoridade de um grupo calcado em experimentações e na proximidade com uma beira-mar metafórica.
Mas, querendo ou não, se afasta — não como um todo, mas em parte — do norte que a banda nos trazia até então.
Nessa nova “versão” ou direcionamento, o cantor e compositor Caxtrinho divide os vocais com Lê Almeida em “De Se Envolver”; “México Suite” é uma fritação psicodélica; e “Inaiê” é uma faixa com looping eterno.
As dez faixas de Slacker apresentam uma nova persona do conjunto Oruã: mais solar, mais experimental, menos (à primeira impressão) afeita aos sons obscuros — mais próxima de uma sonoridade pop alternativa (existe isso?).
É um álbum muito bom, porém menos impactante em termos de faixas pungentes, como ouvimos em trabalhos anteriores.
As colagens sonoras estão presentes, os vocais femininos são pontuais, mas é um álbum mais distante das descobertas e voltado a uma “pseudoantropofagia” em relação à discografia anterior.
Consumir o anterior, absorver o exterior e regurgitar algo mais brasileiro e experimental, afastando-se do que foi estabelecido até aqui.
Antes de tudo, é um álbum gravado longe de casa: misterioso, contemplativo e diferente.
VIVA ORUÃ!
SLACKER – ORUÃ
Gravadora: K RECORDS
Mudança de rumo. Solaridade e novos sons, tudo engarrafado na mesma sintonia.
