Porto União é daquelas cidades que carregam um certo ar fantasmagórico no silêncio. Fica lá no planalto norte de Santa Catarina, colada em União da Vitória (PR), dividida apenas pelo rio Iguaçu. Ela é conhecida nacionalmente por ser a terra do Steinhaeger no Brasil. E nesse clima interiorano, introspectivo, frio e melancólico, que foi lançado “Quarto Quieto”, álbum de estreia no trio Indigans.
Gravado de forma independente, o álbum é composto por 12 faixas que permeiam entre o indie rock, emocore, pitadas de shoegaze, punk e um quê de dreampop, acaba ecoando de forma bem interessante no atual cenário catarinense.
Guitarras texturizadas, uma cozinha precisa e letras que abordam o cotidiano de uma vida majoritariamente triste (ouça “Todas as escolhas eu errei” e “Meu dia não vai ter fim”, por exemplo), eclodem no mérito da Indigans de transformar o quarto em palco.
Em suma, um debut potente e honesto, que soa interiorano sem ser ingênuo, melancólico sem ser piegas e porque não sombrio, sem perder o brilho. É denso, catártico e inevitavelmente verdadeiro.
Por isso, se você curte Terno Rei, Adorável Clichê e Terraplana, vá sem medo e aproveite para conhecer e curtir “Quarto Quieto”. Principalmente, se estiver triste e quiser ficar em silêncio olhando pro teto no seu quarto.
Quarto Quieto – Indigans
Gravadora: Independente
De Porto União, terra do Steinhäger e do silêncio frio, a Indigans destila em “Quarto Quieto” um som denso, catártico e inevitavelmente verdadeiro.
