Show evidencia relevância da banda e marca o fim de um novembro insano para os fãs de música em São Paulo.
O mês de novembro de 2025 foi um teste de resistência para os fãs de shows em São Paulo. Os mais variados estilos e artistas nacionais e internacionais fizeram a festa do público (e testaram a capacidade de superendividamento do abnegado público).
Como todo carnaval tem seu fim, o show do Brian Jonestown Massacre foi o destaque de abertura do último final de semana insano do mês de novembro. Foi meu primeiro show no recém-inaugurado Espaço Usine (que abrigou, no passado, o histórico Clash Club). Local com bom acesso (fui e voltei de metrô), boa decoração, palco em boa altura e boa qualidade de som. O line-up repetiu a lógica da primeira apresentação da banda de Anton Newcombe. Se em 2023 Bike e Trio Mocotó foram as bandas de abertura, agora Ema Stoned e Odair José fizeram os shows que antecederam a apresentação da banda americana.
Passava um pouco das 19h quando o trio paulistano Ema Stoned subiu ao palco de uma casa ainda com pouca lotação para apresentar seu som instrumental. Já tinha assistido a um show delas em maio (no Porta), mas, em um espaço maior, o som instrumental que mistura noise/experimental/krautrock ganha mais corpo e mostra que a banda não é mais uma promessa da cena alternativa. O repertório, centrado no álbum Devaneio, empolgou o público presente (principalmente nas músicas mais “viajantes”). Destaque para os riffs e solos da guitarrista Alessandra Duarte.

Na sequência, Odair José subiu ao palco. Aqui um parêntese: deixe de ser preconceituoso e escute, principalmente, os discos dele dos anos 70 (você pode não gostar, mas ao menos terá base e sairá do senso comum do roqueiro hype que o iguala ao sertanejo universitário). Como show de abertura, cumpriu seu papel: divertir o público com clássicos como “Eu Vou Tirar Você Desse Lugar”, “Cadê Você” e “Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula)”. Destaque para a boa banda de acompanhamento e a empolgação do público presente. No início, ele parecia um pouco incomodado, mas aos poucos foi se soltando.

E esse bom público pôde conferir, pontualmente às 21h35, a segunda apresentação do Brian Jonestown Massacre no Brasil. Quando o vocalista (e dono da banda) Anton Newcombe abriu o show com seu folk/blues/psicodélico, o público pôde começar a viagem com “Whoever You Are”. E aqui um ponto importante: a plateia foi convidada a viajar por quase duas horas de som intenso e melódico. A sequência que se seguiu (“Vacuum Boots”, “That Girl Suicide”, “Sailor”) foi simplesmente indescritível. Acordes, vocais, melodias, jogo de luzes e a empolgação do público formaram o ácido perfeito para conduzir essa viagem. “Servo” e “Super-Sonic” fecharam o show com uma jam de fritação que vai demorar para sair da mente dos presentes (tomara que nunca saia das mentes de quem estava lá).

O Brian Jonestown Massacre fez um show sensacional, que deixou os presentes com a satisfação de assistir a uma banda que, apesar dos anos de atividade, se mantém relevante e mostra como os horizontes psicodélicos são infinitos.



