Hearts on Blood, Mameloko, Sunmaze e o dilema do público, outra vez

Hearts on Blood, Mameloko, Sunmaze e o dilema do público, outra vez

(Reprodução)

Localização: INFERNINHO DA BROCAVE, FLORIANÓPOLIS.

Onde estava o público?

Um público desaparecido. Foi a sensação que tive quando cheguei dentro do Inferninho da Bro Cave.

Poucas pessoas presentes. Embora parte do público tenha se dividido, segundo o produtor. Se contarmos o número de casas presentes na Grande Florianópolis, o público cria uma preguiça no contexto geral.

Um bar em São José vai fechar, ou outro local de shows vai fazer um show. Tem lugar mais centralizado do que o Centro de Florianópolis para assistir a um show de uma banda do Chile e mais duas bandas de Santa Catarina?

Encontrei um jovem no dia seguinte em um supermercado que disse que queria ter visto, mas não foi.

Motivo? Não explicitou.

Enfim, no geral, as experiências de assistir a um ou mais shows estão se perdendo, com um público que, quando lota um show, não fica para o segundo; quando vai em número mínimo em outro show, não faz questão de conhecer outra banda.

HEARTS ON BLOOD

Um power trio que eu não fazia a mínima ideia de quem era (sim, às vezes é bom começar sem ter ideia do que você está assistindo para só depois criar um juízo de valor) começou a tocar. Era legal? Sim.

O vocalista gritando, o baixo em sincronia e uma baterista mulher. Faz diferença? Nenhuma. Porque, se a competência for igual — e sempre é, pode ter certeza — vai ser um show melhor ou com mais punch.

E a baterista era muito FODA!

Problema no som? Não faço ideia do que o vocalista estava cantando além da frase: “Vida proletária”…

Não quero e nem posso reduzir o show a isso, mas, quando você não tem ideia do que o vocalista está cantando (por conta de, talvez, um ajuste na mesa, ou sei lá), fica difícil, mas o som da banda como um todo estava bem legal.

Logo, que venha um primeiro trabalho cheio lançado nas redes sociais!

MAMELOKO

Sabe aquela banda que você fica se perguntando por que demorei tanto a descobrir? Mameloko é isso. De originalmente um trio, a banda se tornou um quinteto absurdo que alterna sons de psychobilly com rock cru e direto, embalado por um contrabaixo absurdo!

O vocalista Jim Boone é um cara de mais de 1,80 m que usa um cabelo digno de um filme de terror insano.

Com uma calvície proposital no meio e longas madeixas ao lado.

Capitan Carajo é uma insanidade na bateria. Sem dó nem piedade!

E, finalmente, ele: Sexbasstian, no contrabaixo acústico. Uma máquina de contratempos musicais insanos!

Mesclando boas canções entre o espanhol (nada incomum, visto que a banda é do Chile) e inglês, Mameloko é uma das bandas mais insanas e legais do continente sul-americano.

A nota triste, não sobre o show, é novamente o público.

Tinha mais gente (não muita) no primeiro show do que no show dos chilenos. A rua estava lotada, muitos com pulseiras de acesso ao Inferninho, mas parece que é mais legal estar na rua do que prestigiar um show.

O público de Florianópolis tem se mostrado bipolar. Compra ingresso, fica na rua, não assiste ao show e tudo certo. Ou prestigia a banda da casa e ignora os de fora.

No mais, foi outra produção muito bacana da Bruxa Verde, que procura sair da mesmice, mesmo com um público que não se arrisca a viver um pouco de novas experiências.

Infelizmente, não conseguimos assistir ao show da Sunmaze, por motivos profissionais, mas ficaremos atentos à próxima gig.

Agradecimentos: Frederico Di Lullo pelas fotos.

Bruxa Verde, pelo convite!

Inferninho da Brocave, pela parceria!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.