A calma antes do esporro.
Quando você sai de casa sabendo que a noite vai ser boa, independente da chuva, a vida é leve.
Chego no Centro Leste próximo às 23 horas. Com o atraso da banda Desgraça (trânsito dos infernos na BR), tapete tapete (2x) ainda passava o som despreocupadamente. O público, ainda tímido, entre a pequena garoa que caía fina e o conforto dos ventiladores do Inferninho da Brocave, deixava a noite tranquila.
Pessoas conhecidas, banda mais que conhecida, e a receptividade de sempre de todos do Inferninho da Brocave fazendo a noite mais feliz.
Nessa passagem de som, a banda tocou algumas faixas novas. O flerte com o shoegaze vem forte para um próximo trabalho. Novas camadas sonoras e ambiências vão fazer parte disso. Mas o mais importante nisso tudo é a progressiva ruptura com o que foi construído até aqui.
O interessante é notar que rótulos para o quarteto catarinense são como figurinhas sem cola para colocar no álbum: não funciona.
Eles constroem músicas como cenários, não estão calcados em nenhum gênero. Talvez seja um dos maiores acertos da banda: fazer música, independente do que os outros achem. Eles só vão lá e fazem.
E o que é um show no sábado? É vida!! Sem a preocupação de ter que acordar cedo, sem a pressão cotidiana de uma manhã destroçada por uma noite mal dormida por ter estado em um show…
Os devaneios são muitos, a gente quase assistindo a um show inteiro na passagem de som.
TAPETE TAPETE E SEGUE O BAILE…
Após o início do show, a competência de sempre. Mas um show da tapete tapete (2x) é contemplação. É entender os meandros das notas musicais. E, principalmente, o humor de cada um dos músicos.
E, apesar do clima de paz, garoa e nada de solidão, a sempre GM de Florianópolis esteve presente dessa vez, com a companhia dos novos contratados, parecendo um monte de salva-vidas no meio do concreto.
Nesse show, notei uma calmaria coletiva. Embora a entrega tenha sido a de sempre, a banda fez um show com um alívio de: TCHAU, 2025!

Entregou tudo. Cumpriu a missão: melhor álbum de 2025 e um dos melhores shows já vistos pelos integrantes do Under Floripa!
Desgraça: a desconstrução musical enquanto show
Para que limites?
Fiquei no Inferninho muito por conta da curiosidade (embora parte do público do show anterior não tenha pensado assim, só para variar) e vi um trio cheio de si, desconstruindo a todo instante o que eu pensava até então ser um show de rock. Rock?
Desgraça não é rock. É uma desconstrução da música, primeiramente. É chocar o público e mostrar que, independente de 1 ou 100 pessoas, o espetáculo segue o script. E o script beira o bizarro e a genialidade.
A quebra dos paradigmas. A mistura de tudo e a ausência da mise-en-scène de um show considerado normal partem para uma quase ode à antropofagia musical. Para que seguir os meandros normais?
Ali, no pequeno palco do Inferninho da Brocave, os ditames dos shows foram reescritos, e a história estava sendo redefinida!

É tudo ao mesmo tempo e uma pergunta: que porra é essa?
Desgraça é Apolo, Hércules e Dionísio se digladiando e chocando o público por não ter nunca visto nada igual antes.
Set list: entre autorais e covers (as melhores que já vi…)
Vilão
Religião
Amor
Andrew
Algo Novo
O Grave
Heavy Dancing
Rival
Roots
Airlander
O Baile
Kylie La Calle
Amizade
A Instiga
Tudo que você quiser
Cocaína
A Lua e Eu
Herói
Último Gás
Crazy Train
E ninguém saiu ileso do sábado, dia 27 de dezembro de 2025!
E fica uma pergunta no ar: @tapeteduasvezes, quem é Bruninha?



