Após 20 anos dedicados a outros ofícios, o ator, músico e diretor Roguan caiu de cabeça na música e lançou um petardo no apagar das luzes de 2025 que, seguramente, figuraria na lista dos melhores do ano.
Mas qual é o diferencial de Roguan?
Primeiramente, em pouco mais de 38 minutos, ele consegue transformar seus anseios em três atos musicais, devidamente divididos ao longo de um período curto — o que é um achado. Pela proposta, poderia facilmente ter sido mais longo.
A viola caipira nos guia por faixas fortes, sem muitos rodeios, com letras diretas, sem firulas. É justamente aí que Roguan consegue sair do lugar-comum.
Com forte pegada nordestina, flertando com o folk e uma música crua e frontal, Roguan não pede licença: ele escancara a represa musical e se desnuda em faixas céleres. “Sem a terra e sem o mar” e “Cala voz” são apenas o prelúdio; dali em diante, surgem composições que se comunicam de maneiras distintas com o ouvinte. Pequenas transgressões musicais. Pequenas rachaduras no cotidiano comum do cidadão contumaz.
O bom de ouvir Roguan é a falta de polidez — ele vai direto ao ponto. Como os bons músicos fazem. É isso, e pronto.
Gostou?
Se não gostou das paisagens sonoras, da produção artesanal, das poesias costuradas entre as músicas ou da viola caipira, pode cair fora.
Não é música para você.
É música para a alma. É música para contemplar. E é justamente aí que o nosso bardo se encaixa.
Roguan – Roguan
Gravadora: Independente
Viola caipira de um jeito poucas vezes vista. Paisagens sonoras, anseios em 3 atos!
