Primavera Sound SP 2026: entre acertos e erros, festival se mantém relevante

Primavera Sound SP 2026: entre acertos e erros, festival se mantém relevante

(ChatGPT)

Festival retorna ao Brasil com nomes relevantes da cena indie internacional, mas deixa sensação de conservadorismo na curadoria nacional

E saiu o line-up da edição brasileira do Primavera Sound 2026. Os dias que antecederam a divulgação geraram alvoroço e expectativas entre os fãs de rock (sim, o Primavera Sound é um festival de rock). Motivado pela coluna do nosso ditador-chefe, decidi redigir estas linhas sobre o line-up do festival.

Em sua última edição, o Primavera arrebentou a boca do balão, com uma escalação que fez os fãs delirarem. Teve The Cure, The Killers, Beck, Pet Shop Boys, Metric, Black Midi, The Hives, Marisa Monte, Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Marina Sena e mais uma penca de atrações legais. Quem foi adorou, vide o êxtase de nosso ditador, e quem não foi se lamentou.

Mas, apesar do sucesso, a edição de 2024 foi cancelada e, em 2025, foi “feito” o Indigo Festival para tapar o buraco do Primavera. Essa edição capenga teve shows interessantes de Bloc Party, Mogwai, Otoboke Beaver e Weezer (headliner que levou uma boa parcela de fãs ao Parque do Ibirapuera para assistir ao festival).

Então foi confirmada, no início do ano, a volta do Primavera Sound ao Brasil. E só isso, a confirmação do festival, gerou a especulação de que teríamos uma escalação no nível da que o festival apresentou em 2023. Surgiram boatos de The Cure, My Bloody Valentine, Gesse, Pulp, Sugar e mais uma penca de ótimos nomes para o line-up. Veja, esses nomes foram meras especulações que muitos, nas redes sociais, trataram como confirmados (levando em conta artistas que estão na versão espanhola do evento, tipo o MBV).

Antes da divulgação, já era dado como certo que Gorillaz e The Strokes estariam escalados (duas boas bandas para um evento desse porte). Ao sair a lista, o clima de frustração (e indignação) foi geral com a falta de outros nomes de peso no line-up. E aí, o festival acertou ou errou? Vamos por partes.

Na escalação internacional, acho que eles acertaram em trazer nomes que estão em bom momento no cenário musical. É impossível discordar que CMAT, Courtney Barnett, Smerz, Nation of Language, Model/Actriz, Mannequin Pussy e Underscores representam muito bem a cena indie internacional. Até Lily Allen e FKA Twigs são boas escolhas para shows no Brasil. Aqui eles fugiram do óbvio, trazendo artistas em bons momentos de carreira e com potencial para bons shows.

Na escalação nacional, o festival deixou bastante a desejar ao apostar em nomes mais “previsíveis”, como Gaby Amarantos, Ebony, Duquesa, Zé Ibarra, Julia Mestre, Black Pantera e Johnny Hooker. A curadoria preferiu nomes nacionais mais conhecidos e deixou de fora artistas em ascensão da nova cena do rock nacional (tipo Pelados, Crise, Ottopapi, Exclusive Os Cabides, Budang, dentre outros). Acho que o principal fator para definir a lista nacional foi o potencial de público que cada artista pode atrair. Resta ver se os fãs desses artistas nacionais irão até Interlagos para assistir aos shows.

Resumindo: o festival voltou bem, com artistas internacionais relevantes, mas que talvez não tenham a capacidade de atrair tanto público para um evento desse porte (não é fácil lotar o autódromo). Mas ficou o gostinho, na seleção nacional, de que o Primavera poderia ter ousado mais (como fez o Lollapalloza 2026).

Mesmo com esse debate, eu digo: bem-vindo novamente, Primavera Sound, e nos encontramos nos dias 5 e 6 de dezembro em Interlagos (e nos shows isolados fora do festival, que torcemos para que sejam confirmados).

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.