Pressure Gain (Blumenau,SC)

Pressure Gain (Blumenau,SC)

(Reprodução)

Nem toda banda precisa inventar um nome pra definir o próprio som.

Mas quando isso acontece é porque existe algo além do básico acontecendo. A Pressure Gain chama o que faz de Haux Metal. E, pela proposta, dá pra entender que não é só estética, nem só rótulo. É conceito mesmo.

Formada pelas irmãs Gi Assmann e Moni Assmann nos vocais, ao lado de Kistt (baixo), Daniel Russo (guitarra) e Ramus Lima (bateria), a Pressure Gain foi amadurecendo ao longo dos anos até assumir de vez o caminho autoral em 2019. E isso faz diferença. Dá pra perceber quando uma banda para de tentar caber em algo e começa a construir o próprio espaço.

O som passeia entre heavy metal, hard rock e alguns elementos progressivos, sempre com aquela pegada mais grandiosa, quase cinematográfica, que funciona muito bem ao vivo. E isso não é força de expressão: a banda também aposta pesado em estética e performance, trazendo uma experiência que vai além só da música.

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Os singles “Crazy Night”, “Lonely Soul” e “There Is No End” já tinham dado sinais claros de que havia algo sendo bem construído ali. Os números acompanham: clipes com mais de 100 mil visualizações, o que, dentro do cenário independente, não é pouca coisa.

Mas é em “Ancestral” (2024) que a proposta realmente ganha corpo.

Produzido por Tiago Della Vega, o disco de estreia é praticamente um manifesto do tal Haux Metal. São 10 faixas (mais bônus) que orbitam temas como força feminina, propósito, ancestralidade e responsabilidade coletiva, sem cair naquele discurso vazio que às vezes assombra bandas que tentam “significar demais”. Aqui, existe vivência.

Um dos momentos mais interessantes do álbum é “The Life After Tomorrow”, que incorpora a batida do coração da filha da vocalista Moni ainda na gestação. Pode parecer detalhe, mas é justamente esse tipo de decisão que mostra o nível de envolvimento emocional da banda com o próprio trabalho.

Outro ponto que chama atenção é como a Pressure Gain flerta com uma espiritualidade mais aberta, sem amarrar isso a nenhuma religião específica. Isso aparece tanto nas letras quanto no conceito e ajuda a sustentar essa ideia de música como experiência, não só entretenimento.

No fim, a sensação é de estar diante de uma banda que entendeu bem o que quer ser. E mais importante: está conseguindo executar isso com consistência.

Se a proposta te pegou, vale o play. E vale acompanhar.

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Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.