Bia e os Foda-se lançam Tiny Foda-se, pocket show com oito músicas no YouTube

Bia e os Foda-se lançam Tiny Foda-se, pocket show com oito músicas no YouTube

(Divulgação)

Projeto traz oito músicas gravadas ao vivo, com direção de Isabelle Spaniol e Marcel Junior

Tem coisas que simplesmente funcionam.

A Bia e os Foda-se resolveu lançar no YouTube Tiny Foda-se, um pocket show com oito músicas claramente inspirado no formato do Tiny Desk, da NPR — e acertou em cheio.

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Idealizado pela própria banda em parceria com Marcel Junior e Isabelle Spaniol, o projeto parte dessa referência óbvia, mas não para por aí. Há um cuidado estético que puxa pra sitcom, flerta com a linguagem do cinema e ainda mantém uma leveza que combina perfeitamente com a proposta.

É um primor audiovisual. Tudo ali parece pensado na medida certa: captação limpa, imagem bonita, direção segura, sem firula desnecessária. A direção entende o tamanho da ideia e não tenta inflar além do necessário. Nada sobra, nada falta.

Gravado na casa do baixista Ícaro Sereno, em outubro de 2024, o projeto também acerta no som. A mixagem e a masterização, feitas no Estúdio Urutu, em São Paulo, entregam um resultado equilibrado e orgânico, que valoriza os arranjos sem engessar a performance. Cá entre nós, os timbres estão deliciosos.

Mas o mais importante, claro, são as músicas. E elas seguram tudo com muita folga.

Com composições de Bia Barros, o repertório passeia com naturalidade entre o humor (“Não me chame de Clarice Falcão”), o absurdo (“Turtle in my room”), a acidez (“LSD (e você)”) e momentos mais sensíveis, como “Saudade”. É uma escrita que brinca, provoca e observa — sem perder a musicalidade.

E aí entra a banda. A base segura tudo com leveza, enquanto as guitarras costuram os arranjos com cuidado e nuance, sem nunca pesar a mão. O resultado é um registro que não depende só da ideia — que já é boa —, mas se sustenta pela execução. E isso faz toda a diferença.

Se a proposta era apresentar a Bia e os Foda-se, conseguiu. E conseguiu bem.

Agora é torcer pra esse “Tiny” ser só o começo de algo maior.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.