CRANQZ – Meu Sonho de Criança Era Ser Globo da Mortista EP (2026)

CRANQZ – Meu Sonho de Criança Era Ser Globo da Mortista EP (2026)
(Reprodução)

A primeira vez que assisti a um show da CRANQZ foi no ano passado, no Inferninho. Foi uma apresentação que parou na metade, salvo engano, porque alguém da banda machucou o pé no meio do set. Na hora, meio bêbado, achei tudo demente, caótico, dissidente e divertido. E, basicamente, esses foram os mesmos sentimentos que tive ao ouvir “Meu Sonho de Criança Era Ser Globo da Mortista”, EP de estreia da trupe.

São cinco faixas espalhafatosas, cheias de cinismo, excentricidades, guitarras e letras niilistas. Difícil tentar categorizar a esbórnia sonora proposta pelo grupo. Aliás, o trabalho me lembrou bastante a fase do Mukeka di Rato entre os álbuns Gaiola e Máquina de Fazer. Não acredita em mim? Então escute “Tralha”.

Mas, aqui, a que mais me chamou a atenção foi “Jeff Beijos”: um conjunto de sensações irreais e perturbadoras, praticamente uma fantasmagoria, que termina com uma fala que diz algo como: “Elon Musk, eu lembro daquela vez que te levei no Quebra-Gelo. Aí a gente comeu um x-banco e tu falou que queria jogar uma sinuca. Eu falei tudo bem; a gente subiu; aí a gente ia pegar uma ficha pra cada um e eu acabei pagando a tua. Tu falou que ia pagar depois e nunca mais pagou. Então tu me deve R$ 2,50”. Absolute cinema!

Em suma, trata-se de um trabalho específico, nichado e voltado para quem não espera estagnação musical. Vale a pena ouvir, mas principalmente conferir a carnificina e a selvageria que a CRANQZ proporciona em suas apresentações.

Meu Sonho de Criança Era Ser Globo da Mortista – CRANQZ

Gravadora: Independente

CRANQZ e um EP para quem já desistiu de fazer sentido.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.