The Dandy Warhols – Pin Ups (2026)

The Dandy Warhols – Pin Ups (2026)

(Reprodução)

Jesus Cristo. Por onde começar?

Falando francamente, eu parei de prestar atenção nos Dandy Warhols há muito tempo. Ainda guardo uma relação nostálgica com The Dandy Warhols Come Down e Welcome to the Monkey House — e, claro, “Bohemian Like You” é um clássico absoluto. Fora isso, a discografia da banda oscila entre o irregular e o medíocre, às vezes chegando a ser simplesmente impossível de ouvir. Pin Ups, o lançamento mais recente, cai direto nessa categoria. É inaudível.

Pin Ups é uma coletânea de covers — e eu tenho horror a covers.

“Ah, Alexandre, mas e o cover de…”

Eu sei o que você vai falar. Foda-se. Eu sinceramente não me importo. A não ser que você cite “All Along the Watchtower”, do Jimi Hendrix, ou “Killing Me Softly With His Song”, dos Fugees, eu não quero saber. O que os Fugees — e, acima de tudo, a voz de Lauryn Hill — fizeram transcende a releitura. “Killing Me Softly” deixa de ser uma canção regravada e passa a ser deles: definitiva, inexorável, talvez o maior cover de todos os tempos.

E sim, isso também vale pra “Hurt”, do Johnny Cash. Funciona, tem peso, tem contexto — a voz do Homem de Preto era uma coisa de outro mundo —, mas virou consenso fácil. É o tipo de reverência automática que diz mais sobre a narrativa construída em torno da música do que sobre a música em si.

Covers têm o seu lugar. Apesar da maioria me dar vontade de enfiar uma parafusadeira nos meus ouvidos, não os descarto completamente. Um cover bem escolhido no meio de um setlist amarrado consegue elevar a experiência de qualquer show. O Oasis fazia isso muito bem. O Pearl Jam também faz. Da mesma forma, uma versão inesperada, perdida no meio de um álbum, às vezes acaba sendo o melhor momento do disco. A versão de “Easy” do Faith No More ainda é o estado da arte quando se fala em bandas pesadas fazendo covers de artistas que geralmente tocam na Antena 1.

Em alguns casos, a reinterpretação — o deslocamento de gênero, de contexto — revela outra camada, outra leitura possível. Mas, na maioria das vezes, não passa de um exercício vazio: sem risco, sem ideia, sem necessidade.

Para além dos covers que são insossos por serem meras releituras, existe uma linha tênue onde a apropriação se torna aniquilação — a destruição completa de algo. Muitas vezes, na tentativa de impor uma identidade própria à música de outra pessoa, o que se perde é justamente a música: esvaziada, sem sentido.

E, falando em falta de sentido, ouvir “Cherry Bomb” na voz de Courtney Taylor-Taylor simplesmente não faz sentido. Arrisco dizer que é tão ruim quanto a Britney Spears cantando “I Love Rock n’ Roll”.

E esse é justamente o problema de Pin Ups: assim como fazer um cover de um one hit wonder de uma banda feminina na voz de um barítono mal-humorado que parece ter perdido alguns parafusos depois de tanto apanhar do Anton Newcombe, este disco não tem sentido nenhum. Eu poderia escrever aqui uma resenha padrão, faixa a faixa, citando os originais, as diferenças, mas isso também seria um exercício vazio. O disco é ruim. Soa estranho o tempo todo. A alternância entre as vozes de Taylor-Taylor e Zia McCabe cansa. Na maior parte das músicas, o instrumental diverge tanto do original que a música fica irreconhecível.

São dezessete faixas (!) que não encontram propósito — nem como homenagem, nem como reinvenção. Faltam ideias, direção e qualquer motivo legítimo pra existir. Qual é a necessidade de regravar “Blackbird”? Por conta de uma piada de mau gosto escrita em um verso de uma música lançada há trinta anos? Sério?

Pin Ups é um desastre. Não é nem interessante como um acidente acontecendo em câmera lenta que nos prende o olhar. É só muito, muito, muito ruim.

2.5

Pin Ups – The Dandy Warhols

Gravadora: Beat The World Records

Billy Duffy, do The Cult, é um dos meus guitarristas favoritos. As versões de "Rain" e "She Sells Sanctuary" deste álbum me ofendem.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.