Resenha: Turnstile – Never Enough (2025)

Resenha: Turnstile – Never Enough (2025)

(Reprodução)

Confesso que a Turnstile passou praticamente despercebida por mim nos últimos anos. Em 2022, eles tocaram no Lollapalooza Brasil — um ano em que eu ignorei o festival por considerar o lineup fraco no geral. No ano passado, passaram pelo Rio e por São Paulo e, novamente, não dei atenção ao grupo. A primeira vez que realmente prestei atenção neles foi no mês passado, quando subiram para o YouTube o registro de um show beneficente realizado em sua cidade natal, com a execução de faixas do então inédito Never Enough.

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Mais de uma hora de pancadaria: um mosh atrás do outro, crowdsurfing, rodas gigantescas, crianças correndo no palco e infinitas cabeças batendo ao som da música. Provavelmente alguém no futuro vai dizer que concebeu uma criança nesse show. Tudo registrado toscamente em VHS. Meu espírito Geração X assistia embasbacado até conseguir apontar pra tela do computador e dizer, furiosamente:

“Isso que é rock, porra!”

Poucas semanas depois, com a banda de volta aos palcos, Never Enough finalmente foi lançado. E que pedrada, meus amigos. Para os puristas, a banda pode soar estranha — talvez até pop demais. De fato, há muito da linguagem musical da Turnstile que dialoga com o pop fragmentado dos vídeos curtos do TikTok. Poderíamos até reduzir o som deles a mais uma tentativa de flertar com soundbites virais, mas isso seria injusto. Never Enough não tenta ser viral — ele é viral por natureza. Os refrões e breakdowns explosivos e coreografáveis parecem nascer de impulso criativo genuíno, não de uma planilha de marketing.

Glow On já apontava para um caminho híbrido entre o punk visceral e o pop sensorial, mas em Never Enough essa fusão deixa de ser experimento e vira identidade. Tem beat eletrônico, tem pianos, tem chorus à la Andy Summers, tem até metais perdidos no meio do caos. A Turnstile entrega muito mais do que um produto bem-acabado: oferece um álbum que consolida a virada estética iniciada no disco anterior — agora com ainda mais confiança e coesão.

7.8

Never Enough – Turnstile

Gravadora: Roadrunner Records

"Never Enough" deve ser o que a banda pensa sobre breakdowns.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.