Tigre Robô é um quarteto brasiliense de rock alternativo, formado em 2018 e composto por Junio Silva (baixo, guitarra e vocal), Isabela Fernandes (guitarra, baixo e vocal), Guilherme Okamura (guitarra) e Rafael Lamim (bateria). Nascida no contexto da nova cena independente de Brasília, a banda se destaca pelo seu som que transita entre o post-punk caótico, indie, pós-tudo e o experimentalismo lo-fi, misturando melancolia, ruído e um certo humor ácido em suas letras.
Na entrevista a seguir, conversaremos sobre o início da trajetória da Tigre Robô, a cena musical de Brasília, os processos de composição e gravação do primeiro álbum, além das inspirações que definem o espírito inovador e debochado do grupo. Bora?
UF – O humor está muito presente nas letras e no conceito do álbum “Telefone Pra Cachorro”. Como vocês equilibram esse tom irônico com temas mais densos, como o caos do cotidiano?
Junio: É engraçado pra mim porque eu não escrevi nenhuma das letras pensando em ser algo cômico ou irônico. Acho que foi um rumo bem natural na composição. Era o que estava sendo sintonizado ali. Mas geralmente, eu tento falar sobre coisas mais densas sem ficar algo massante ou muito óbvio. Por exemplo, acho que dá pra falar de amor de mil e umas formas e uma das que encontrei foi falando sobre dividir resto de comida com outra pessoa.
Leia a resenha do álbum Telefone pra Cachorro aqui
UF – Quais são as principais referências musicais e artísticas que influenciaram o processo de composição do disco de estreia?
Junio: Muitos artistas diferentes. Desde algumas coisas mais óbvias de sons gringos tipo Talking Heads, B52s e Gang of Four até referências nacionais como o Itamar Assumpção, Fernanda Abreu, FBC e outros. Em Atlas tem até sample do Kurtis Blow.
UF – Limos que o título do álbum de estreia partiu de uma piada interna. Há outras histórias curiosas ou momentos inusitados dos bastidores que marcaram a trajetória recente da banda?
Junio: Acho que a banda por si só já é algo inusitado. A gente começou meio sem saber como tocar os instrumentos. Eu mesmo não sei como compus minhas partes de teclado, porque mal sei fazer um acorde ali. Acho que de curioso mesmo tem o primeiro show em 2019 que a gente só tinha umas três músicas e fomos convidados como banda de abertura. No fim das contas, as outras bandas que iam participar do evento atrasaram e tivemos que ficar repetindo as três músicas. Foi tão esquisito que só topamos voltar a fazer shows agora em 2025.

UF – Vocês transitam por gêneros como pós-punk, grunge, punk e shoegaze. Como ocorre a construção coletiva das músicas e como cada membro contribui com esse resultado?
Junio: Eu geralmente trago um esboço de algum instrumental e letras, daí vamos montando o resto juntos. Não sei chegar no estúdio com todos os instrumentos já feitos na minha cabeça, prefiro que cada um vá montando suas respectivas partes ali coletivamente. Teve músicas do disco que começaram a ser feitas em 2019 e só foram ser “terminadas” em 2024. Demora mais tempo assim, mas é um processo mais interessante de fazer em grupo, acho.
UF – A cidade de Brasília é conhecida por sua cena musical alternativa. Em que aspectos a cidade influencia o som e a identidade da Tigre Robô? Existem planos para uma turnê pelo sul do Brasil, principalmente por Florianópolis?
Junio: Brasília em si foi quase um obstáculo no início da banda. Até 2023, eu morava muito longe da Isa e do Rafa e, da forma com que a cidade é configurada, isso fazia com que a gente não conseguisse se encontrar muito pra tocar e tal. Então, acho que nesse disco mesmo ficou impressa a dificuldade de se equilibrar nas contas pra fazer o que a gente gosta e se virar pra sobreviver numa cidade tão cara e de acessos difíceis. Sobre turnê no sul, não temos planos ainda, mas organizando e pagando tudo certinho poderia muito bem acontecer em algum momento.
Agradecemos à banda Tigre Robô pela entrevista e pela generosidade em compartilhar suas ideias, histórias e processo criativo conosco!



