De alguns anos para cá, a Geração Y, não sei bem identificar essa história de gerações, ou talvez nos últimos anos, talvez dez, talvez mais, tudo muito na base do achismo, voltou os holofotes para bandas que se não estavam sumidas do mapa, estavam a margem do que seja considerado mainstream.
O Azymuth, longeva banda de jazz, funk, bossa nova, ritmos brasileiros, não apenas continuou a sua longeva carreira desde que iniciou os trabalhos no longínquo ano de 1973, com: José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (baixo e guitarras) e Ivan Conti (percussão e bateria).
Com altos e baixos nesses 51 anos, viu em 2012, Bertrami se for e em 2023, Ivan Conti, também conhecido como Mamão, deixar esse plano.
Mas o show tem que continuar, e assim, em pleno 2025, em meio a febre de músicas de 30 segundos, tik toks, e influencers, a música renasce do Azymuth renasce com “Marca Passo”.
E realmente, não sei, não faço ideia de em pleno século 21, o Azymuth seja endossado por essa geração que transforma tudo em dança. Mas, espero que seja. Porque faz muito sentido. Regurgitar o passado, para emular o presente.
E seguir adiante.
O disco que conduz a trajetória do grupo que hoje conta na formação com: Kiko Continentino (teclados) e o novo baterista, Renato Massa, além do último integrante da formação original, Alex Malheiros, segue fiel ao estilo do Azymuth.
Se nada mudou musicalmente, a pujança e a linha melódica do trio, seguem intactas. A pegada de jazz fusion, percussão econômica, abrem o novo trabalho com “Fantasy `82”, não à toa, a linha da faixa segue uma aura revisitiva. Com presença marcante de teclado.
Mas é na faixa título, “Marca Tempo” que o grupo soa como o Azymuth ao qual nos acostumamos, imprevisível, mesclando nesse caso, samba, cadências de jazz e um teclado nervoso, andando lado a lado ao ritmo ancestral!
Na realidade, embora soe parecido com outras faixas anteriormente produzidas, é uma daquelas faixas que grudam, que marcam, não apenas o tempo de escutar as mesmas, mas uma ponte para o restante do disco.
“O Mergulhador” não foge da aura ‘oitentista do trabalho”, até os vocoders tradicionais a muitas das bandas dos anos 70 e 80 do século 20 estão lá.
“Organizar o passado, é uma evolução musical…”
Nesse sentido, todo o andamento de uma banda, grupo ou artista de jazz brasileiro, parece que tem em si uma identidade. Algo que o diferencie de outros artistas gringos, quando escutamos um Miles Davis, um Monk…
Aprofundando (sem trocadilhos) no disco, “Marca Tempo” embora tenha uma temática passada, tem muitos trechos que a geração que regurgita artistas passados (ainda que presentes e atuantes) de maneira a se destacarem se torna talvez (só o tempo dirá), em um novo marco musical do Azymuth.
Enquanto artistas olharem, ouvirem e reprocessarem o passado, o Azymuth continuará pleno. E mesmo que esse olhar (novos – antigos) cessem, sempre haverá um mote ou norte para os novos seguirem em frente.
Paz de criança dormindo, tempos antigos e Azymuth na trilha sonora, seria o mundo ideal!
Marca Passo – Azymuth
Gravadora: Far Out Recordings
Quando um trio pode emular os anos dourados do jazz, fusion, bossa nova e MPB em pleno 2025, de maneira convicente!
