Quarto disco de estúdio, “Cutthroat” marca a reinvenção do Shame e prova que os britânicos ainda têm munição para continuar estando no front. Com produção requintada, apresenta doze faixas, pouco mais de 40 minutos de guitarras afiadas, lirismo ácido e um tom direto que não se perde em rodeios. Nem no personagem.
O som continua no no mundo aberto do post-punk, mas agora flerta com o indie e o rock de garagem, criando uma dinâmica que é ao mesmo tempo crua e estranhamente vibrante. Liricamente, o álbum não alivia: Charlie Steen despeja verdades desconfortáveis sobre covardia, hipocrisia e conflitos pessoais e sociais, cuspindo tudo de forma confrontante, sem pelos ou travas na língua.
E sim, o momento mais curioso, e talvez mais ousado é “Lampião”, faixa que homenageia nosso cangaceiro e revela a influência cultural pessoal da banda, principalmente do seu vocalista e seu amor pelo Brasil. O resultado é uma conexão improvável, mas que amplia o alcance temático do trabalho e adiciona um sabor inesperado ao repertório.
Outros destaques são “Cutthroat”, “Quiet Life” e “Spartak”, que permeiam a transição da banda, ressaltando a ousadia em trazer uma nova sonoridade, sem abandonar as origens da banda. Assim, a banda não se acomoda, prefere correr riscos e, nesse processo, entrega um registro muito interessante, coeso e inovador.
Cutthroat – Shame
Gravadora:
Shame corta na carne e entrega seu disco mais afiado: Cutthroat!
