A Centroleste Autopeças nasceu em 2023, mas já carrega consigo a energia e o caos criativo de quem parece estar na estrada há bem mais tempo. Formada a partir de encontros casuais entre amigos, primeiro no baixo e na guitarra, depois com a chegada de Geder na bateria, a banda tomou forma rapidamente e, em pouco mais de um ano, já soma gravações iradas, shows e apresentações mais do que intensas, composições afiadas e um lugar de destaque na cena alternativa de Florianópolis.
Assisti os moleques duas vezes neste ano: uma abrindo pros Jovens Ateus no Desgosto e outra junto a Jonabug, no Inferninho da Brocave. Intensidade, originalidade e uma ótima relação com seu público.
Sim, o nome é inusitado, que mistura ironia e poesia, nasceu de brainstorms intermináveis em rodas de amigos. Depois de meses de tentativa e erro, foi uma amiga do grupo que soltou o batismo: Centroleste Autopeças. Entre risadas, abraços e até champanhe, a decisão virou destino. E o restante desta história dicotômica, que parece longe de acabar, está descrito nas próximas linhas, num bate-papo virtual com o Bruno e o Geder. Boa leitura!
Entre emo, math rock e pós-hardcore
O som da Centroleste é difícil de rotular. E essa é justamente a graça.
“Geralmente eu explico como um CPM22 do futuro”
Eles brincam. A definição, apesar de simples, ajuda a traduzir a mistura de emo, post-hardcore e math rock que molda o repertório da banda. Letras confessionais, guitarras técnicas e arranjos nada óbvios compõem o caldeirão.
O emo se manifesta no conteúdo lírico, que fala de amizade, existência e emoções em estado bruto. muitas vezes gritadas no microfone. O math rock aparece nos compassos quebrados e na complexidade das guitarras. Já o pós-hardcore se evidencia nos arranjos livres, sem fórmulas fixas: músicas que começam pelo refrão, mas nunca mais o repetem.

12 horas de suor e tensão
O primeiro álbum, o agora cultuado “Saltos Ornamentais em Piscinas Secas” foi gravado em apenas 12 horas: uma experiência que a banda define como desesperadora e recompensadora ao mesmo tempo.
As faixas foram registradas ao vivo, em take único. Se um erro aparecia no final da música, era preciso recomeçar tudo. A tensão foi “fudida”, nas palavras deles, mas o resultado trouxe uma sensação de vitória.
“Se tivéssemos mais tempo, teríamos feito coisas diferentes, talvez melhores. Mas ouvir o disco pronto, sabendo que foi feito em tão pouco tempo, foi recompensador.”
Uma identidade em construção
Quando perguntados sobre a música que melhor representa o espírito da Centroleste, os integrantes não hesitam: “Saltos Ornamentais em Piscinas Secas”. A faixa reúne todos os elementos que definem a banda: velocidade, momentos lentos, peso, experimentações matemáticas. É também uma das mais difíceis de tocar, o que a torna rara nos shows, mas ainda assim é considerada a síntese do que o grupo quer passar.

Planos, parcerias e Halloween na Brocave
Para o futuro imediato, a Centroleste prepara o lançamento de um novo EP ainda este ano, já gravado e finalizado, além de um álbum previsto para o próximo. Paralelamente, novos merchs estão a caminho.
Nos palcos, o próximo destaque será em 31 de outubro, no Halloween da Brocave, ao lado das bandas Tapete Tapete e Tran. Uma data simbólica, o “dia do Saci”, que promete um show especial.
A relação com a Tapete Tapete, aliás, vai além dos palcos: as bandas têm estreitado laços e até cogitam uma turnê conjunta.
Cena em movimento
Sobre a cena alternativa em Florianópolis, a Centroleste é enfática: há muita coisa boa acontecendo. Bandas como Tapete Tapete, Exclusive os Cabides, Budang e Bad Chair são citadas como destaques locais, enquanto nomes como Bella e o Olmo da Bruxa, Magnolia, Chococorn and the Sugarcanes
e Jonabug mostram a força da cena nacional.
“Talvez nada tenha furado a bolha ainda, mas dentro da cena existem bandas muito fodas crescendo e levando o som adiante. É massa fazer parte disso.”
Conselhos de quem ainda está começando
Mesmo se considerando uma banda em formação, a Centroleste deixa alguns conselhos para quem está dando os primeiros passos no emo/post-hardcore:
“Faz música. Coloca o coração ali. O autoral é muito style. Não ter pressa, lançar com calma e abraçar todo mundo que cola. Mais do que views ou seguidores, é sobre paixão e sobre a vibe da banda. Quando a vibe é boa, o resto acontece naturalmente.”

A relevância da Centroleste Autopeças
Entre letras intensas, arranjos inventivos e uma estética que carrega humor e peso em doses iguais, a Centroleste Autopeças se firma como uma das apostas mais interessantes da cena alternativa de Florianópolis.
De um álbum gravado em tempo recorde ao próximo EP que já vem no forno, passando por parcerias com outras bandas da nova geração, o grupo mostra que está abrindo novas estradas para uma geração. Existe continuidade, talento e criatividade para quem já frequentou o Plataforma e o Underground Rock Bar.
Ouça “Saltos Ornamentais em Piscinas Secas”:



