Atitude ácida se junta a participações especiais para ampliar o som do duo inglês.
Parem as máquinas (jargão clássico do jornalismo das antigas): o querido/hypado duo inglês Sleaford Mods acaba de lançar seu décimo terceiro álbum, The Demise of Planet X. E, novamente, eles acertaram a mão para fazer um ótimo disco.
Após o ótimo UK Grim, de 2024 (que rendeu um antológico show no Brasil), a pergunta que ficou era: o que o vocalista Jason Williamson e o instrumentista Andrew Fearn vão aprontar no próximo álbum? A resposta é: a fórmula que está dando certo, com pitadas de inovação.
“The Good Life” abre o álbum com a pegada do som da dupla (e com uma nervosa linha de baixo), apimentada pelas participações do pessoal do Big Special e da atriz de Star Wars, Gwendoline Christie. Uma paulada sonora, sombria e intensa.
E essa abertura já mostra que a dupla inglesa é um expoente do punk (sem precisar da estética sonora do estilo), com letras que detonam os governos do Partido Conservador, o Brexit e o momento caótico vivido na terra da rainha (e no resto do mundo). Decididamente, Jason Williamson abriu a caixa de ferramentas para fazer um álbum intenso, mesmo que ele soe mais pop em uma primeira audição, e que honra a carreira da dupla. Nesse álbum, as pitadas de new wave estão muito presentes ao longo das 13 faixas que integram o disco.
“Double Diamond” tem uma introdução que mescla sonoridade tribal e um riff de guitarra curto para falar da luta contra os demônios oriundos da ressaca. “Elitist G.O.A.T.” é uma provocação contra pseudoativistas (o refrão é cantado por Aldous Harding). “Megatron” fala das guerras culturais nas redes sociais.
Bad Santa tem uma pegada Massive Attack (exceto pela voz de Jason), enquanto “Don Draper” vem com um clima de hip hop dos anos 90. Destaque ainda para “Gina Was” e “Kill List”. “The Unwrap” fecha o disco com uma pegada ska (no estilo Sleaford Mods).
Talvez um pouco da barreira que a dupla ainda enfrenta no Brasil seja devido às bases eletrônicas (que são bem criativas, ao contrário do que parecem em uma primeira audição) e ao estilo falado dos vocais de Jason. Se for isso, deixe de ser preconceituoso e escute esse duo que faz uma sonoridade intensa, aliada a uma poderosa crítica social e comportamental.
Arrisco dizer que The Demise of Planet X é o disco mais ousado deles e que melhora a cada nova audição. Ah, ainda existe a promessa, feita em rede social, de que eles voltam ao Brasil em 2026. Então bora escutar esse álbum que é, com certeza, uma boa diversão.
The Demise of Planet X – Sleaford Mods
Gravadora: Rough Trade
Novamente eles acertaram a mão para fazer um ótimo disco.
