Entre fantasias, muito sangue falso e contrastes musicais, Skarpssine e Call the Cat Cave passaram pelo Inferninho da Bro Cave em uma noite movimentada no Centro Leste.
O Centro Leste estava propício para uma passeada, lotado de pessoas em busca de diversão e Halloween (que, sim, pegou muito forte e é um caminho sem volta). Entre pessoas fantasiadas e a reunião não programada de quatro integrantes do site na frente do local do show, a noite foi insana.
Houve um considerável atraso inicial, o que acabou empurrando toda a programação para frente. Nada que cervejas, cigarros e um Moscow Mule não remediassem.
O evento pós-punk era homônimo ao ao The Batcave de Londres, contou inclusive com uma boa colaboração dos criadores do evento original londrino.
O Batcave foi uma experiência Brasil-Reino Unido. Enquanto do lado de dentro da Brocave, o som acontecia juntamente com imagens projetadas no telão, do lado de fora, era uma mistura de Haloween e festa!
Com o atraso, a noite acabou se prolongando para aqueles com disposição para acompanhar tudo até o fim. Além das apresentações de Skarpssine e Call the Cat Cave, a festa também contou com três DJs: Tulipa, L.F. Reif e Calvin T., responsáveis por manter a música rolando entre uma apresentação e outra e avançar pela madrugada. A programação ainda previa uma apresentação via live, mas nossa equipe acabou se distraindo com as fantasias de quem estava na casa e dos transeuntes no calçadão. Por isso, ficamos devendo nossas impressões sobre ela.
Uma noite de fantasias, encontros inesperados, um show bem legal e outro nem tanto. Tudo isso você confere a seguir, nas mal escritas linhas de Alexandre Aimbiré e Luciano Vitor.
Skarpssine
Entre batidas de synth pop, alt-dance, post-punk e darkwave revival, o músico catarinense fez o público dançar e entrar em um transe coletivo com covers (como “Sangue Latino”) e músicas próprias. Passeando por diferentes referências, Skarpssine construiu uma apresentação que transitava entre atmosferas dançantes e momentos mais introspectivos, sem perder a unidade sonora.

Com teclado e sintetizadores no palco, a banda de um homem só agradou à alta cúpula do site presente. Há algo de especial no que convencionamos a chamar de pós-punk e, mais ainda, em ver gente talentosa imprimindo sua própria personalidade em forma de música. Existe também algo bastante interessante na possibilidade de acompanhar um artista construindo suas próprias melodias e conduzindo sozinho toda a experiência ao vivo.
Entre uma frase e outra, o núcleo duro do Under Floripa chegou à conclusão de que o jovem e cabeludo músico, com seu projeto/banda, merece atenção. Além de resgatar o espírito DIY, Skarpssine demonstra que é possível segurar um show sozinho, apostando no estudo, na experimentação e na construção cuidadosa das melodias.

Foi um show curto, porém poderoso. Daqueles que despertam a curiosidade para conhecer melhor o trabalho do artista e acompanhar seus próximos passos. Esperamos, em breve, poder resenhar um futuro lançamento.
Call the Cat Cave
Na sequência, foi a vez da Call the Cat Cave subir ao palco. A banda apresentou um repertório dominado por covers, passando por “Ainda É Cedo”, da Legião Urbana, “I Wanna Be Your Dog”, dos The Stooges, “Paranoid”, do Black Sabbath, entre outras.
Vale uma explicação: aqui no Under Floripa, temos como política editorial não divulgar ou resenhar trabalhos de bandas cover. No entanto, como estamos falando de uma banda autoral que, nesta ocasião especial de Halloween, apresentou um repertório majoritariamente de covers, abrimos essa exceção e seguimos com o relato.

A seleção passeou por referências interessantes, mas a apresentação acabou não empolgando tanto quanto a anterior. Não a esta redação, pelo menos. Houve um direcionamento para o punk e até o princípio de uma rodinha, mas o entusiasmo não durou muito. Após algumas músicas, o lado de fora estava mais cheio do que a pista.
Sem demérito à banda, faltou imprimir mais personalidade às músicas e dar uma identidade mais definida à apresentação. A banda acabou ficando em um limbo um tanto estranho: não chegou a funcionar como um show de covers, mas também não pareceu encontrar uma proposta própria ao reinterpretar essas referências. Faltou aquele elemento capaz de fazer o público se conectar de verdade com o que acontecia no palco.

Nem toda noite tem dois grandes momentos, afinal.
Entre sintetizadores, guitarras, fantasias e encontros inesperados, a Bat Cave no Halloween entregou uma noite de contrastes. Skarpssine deixou uma boa impressão e despertou nossa curiosidade para acompanhar os próximos passos do projeto. A Call the Cat Cave, por outro lado — que já foi criticada impiedosamente neste espaço — ainda mantém a curiosidade desta redação.



